Losing my Religion
De caju em caju vejo um texto da Juliana Dacoregio do Heresia Loira, muitas vezes através de outros. Recentemente o Pava publicou um texto mais antigo dela, onde explica a razão da sua birra com o mundo evangélico. Ela discorre como descobriu o fascínio pelo ateísmo, e os motivos de escrever a respeito disto.
Mas a brilhante loira herege nem sempre pensou desta forma. Segundo própria narrativa, já foi freqüentadora assídua de uma denominação neo-pentecostal, fez parte de grupo de células com numerinhos, conheceu hierarquias, conviveu com bispos e apóstolos. Foi até cogitada pra participar do grupo de 6+6 de sua pastora (imagino que em se tratando de status, isto signifique alguma coisa), antes de resolver tomar as rédeas de sua vida e chutar com gosto o balde.
Nos divertidos comentários no seu blog, descobri que embora curiosamente conheça os novos apóstolos e bispos, não faz (ou pelo menos não fazia) idéia de quem seja John Stott. Para ela, O Caio Fábio é “aquele pastor famoso que corneou a mulher“. Acho que perguntar a respeito de Schaeffer, Livingstone, Whitefield e Sadu Sundar Sing seria perda de tempo.
Não me admira o fato de alguém que conheceu o que há de pior nos bastidores do evangelicalismo institucional brasileiro acabe fascinada pela idéia de que no fim de tudo Deus não existe. Tal desilusão parece-me até uma conclusão plausível, dadas as circunstâncias. Ora, uma desilusão só pode existir se precedida por uma ilusão. E ninguém, nem mesmo os brilhantes e perspicazes estão imunes à isto.
Religião é ilusão. É estrada que leva ao casarão das instituições humanas. E este casarão é construção imponente por fora, triste e decepcionante por dentro. Religião demanda sucesso, sacrifício, mérito, perfeição. E no fim, a ilusão da perfeição visivelmente manchada pela falibilidade humana, insiste em tentar travestir-se de inerrância. Aos que sucumbem, resta caos, vergonha e desespero.
Há muito descobri que Deus não habita no mundo da religião. Ele oferece através de Jesus de Nazaré a resposta que a religião não pode dar. Descobri que a igreja não habita no casarão da cristandade. Tentam a todo custo limitar sua existência ao CNPJ da instituição, mas esta move-se como vento livre. Não precisa de CEP, teto ou alvará. A Igreja somos nós, que aguardamos a manifestação do que é inteiro, para substituir esta pobre descrição do que é em parte.
Por fim, acreditando ou não, Deus ama a Juliana com o mesmo amor de sempre. Continuará amando, torcendo por seu sucesso e felicidade. Mas jamais tomara de suas mãos as rédeas da vida ou manipulará suas escolhas. Onde existe amor não pode haver controle.









Isso era mais ou menos o que eu tinha concluído a respeito da tal loira herege, que conheci pelo blog do Pavarini. O certo é que tem gente que só conhece o pior do meio evangelical, e se deslumbra até com exposições ateístas bem pobrezinhas.
Conheci a Cristo em um ambiente um pouco mais saudável. Stott, inclusive, foi um dos primeiros autores que conheci através de um pastor local. Talvez se tivesse entrado em um ambiente como o dela estivesse em situação semelhante hoje.
Oi, Adriano,
acho que li uma um post dessa pessoa. Sinceramente não sei o que acontece; vejo blogs que me edificam profundamente, pessoas que andam com o Deus Vivo e que compartilham aquilo que têm aprendido. Gente de igreja Batista, Presbiteriana, Universal, Católica, não importa, mas o que dá ibope é esse tipo de blog… Acho que mostra bem o estado da Igreja ou igreja. Lamentável!
Olá. De link em link acabei chegando aqui. Agora já conheço um pouco mais de Caio Fábio. Li algumas coisas dele e (apesar de continuar atéia) entendi porque tantos cristãos diziam para eu ler Caio Fábio. Ele tem posicionamentos bem inteligentes e ponderados.
Olá Juliana.
Como diria Morpheus em Matrix: “Your coming was foretold”… =)
A vida é assim: Cheia de links. Que bom que estes trouxeram você aqui, e também até ao Caio. E que bom que gostou do seu pensamento. Conheça outros também, como o Stott que mencionei no artigo. Tem muita gente boa por ai. Bençãos, Paz e felicidade pra você.
Oi Adriano!
Cara achei massa qd cê disse que toda desilução é precedida de uma ilusão. E infelizmente é isso q temos visto por aí! Pessoas que continuam vivendo um evangelho de ilusão, onde as pessoas continuam sendo o centro das atenções! Não dá outra! Uma porção de gente ferida, amargurada, triste e sem perspectiva! É isso que acontece d não cremos e vivemos num evangelho cristocêntrico! abração
Olá meu caro Jonathan, em partes você tem razão, mas as pessoas só se sentem menosprezadas quando deixam com que outras pessoas as façam sentir-se inferior…
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