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Eu não acredito em Ética Cristã

13 abril 2009 518 Cliques 4 Comments

Exatamente. Não acredito. Não existe ética cristã, enquanto entrincheirada no gueto da religião. Da mesma maneira que não acredito em ética profissional, ou de negócios, bioética, ou mesmo outros substantivos semelhantes. Tais coisas não existem.
Estas departamentalizações são nada além de sinais da infantil tentativa de diluir a integridade em porções homeopáticas (como se isto fosse possível) com o intúito de aliviar a consciência. Algo assim: “já que não sou integro aqui,  tento ser ali“.

Mas por outro lado, acredito em ética enquanto éthos. E é deste aspecto que quero falar. Ética é caráter, a investigação geral sobre aquilo que é bom. Se caráter, você tem ou não, porque não aconteceria o mesmo com a Ética?

Mas e se debulhar um pouco mais? O que chamamos de caráter, consiste na expressão dos valores morais de um certo grupo. Ética e moral andam juntas, existem para definir os limites aceitáveis, que não devem ser transpostos ou violados para o bem comum.
Neste ponto posso afirmar que este entendimento é absolutamente cristão. O verdadeiro amor estabelece limites.

Tenho um filho de quase dois anos, que quer descobrir o mundo. Ele encontra a felicidade correndo pela extensão da cerca no jardim. Mas do lado de fora existe uma via pública, por onde passam carros e caminhões. O verdadeiro amor é como esta cerca que impede que meu filho corra para a  via pública,  não com o objetivo de sadicamente cercear-lhe a liberdade, mas para sua própria proteção.
O amor incondicional de Deus por mim não subentende anarquia ou ausência de regras, muito pelo contrário: Para meu próprio benefício ele me estabelecerá limites. Claro, chega o dia em que eu escolho transpor ou não os limites do amor. Seja qual for a minha decisão, Deus continuará me amando, porém  arcarei com as conseqüências finais de minhas escolhas.

Assim, para mim, ética é aquele tipo de coisa que não pode ser departamentalizada. Ela fará diferença alguma se não aplicada essencialmente aos fundamentos da existência. Se você não mostra-se ético,  por exemplo, entendendo quais são os seus limites diante do LCD na privacidade da vida, não o fará no desempenho da profissão, nem no exercício da fé, no uso das palavras ou na convivência social.

Corrijam-me se estiver errado.

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4 Comments »

  • Faculdade Teológica said:

    A Ética Cristã

    Á ética cristã é o sistema de valores morais associado ao Cristianismo histórico e que retira dele a sustentação teológica e filosófica de seus preceitos.

    Como as demais éticas já mencionadas acima, a ética cristã opera a partir de diversos pressupostos e conceitos que acredita estão revelados nas Escrituras Sagradas pelo único Deus verdadeiro. São estes:

    1. A existência de um único Deus verdadeiro, criador dos céus e da terra. A ética cristã parte do conceito de que o Deus que se revela nas Escrituras Sagradas é o único Deus verdadeiro e que, sendo o criador do mundo e da humanidade, deve ser reconhecido e crido como tal e a sua vontade respeitada e obedecida.

    2. A humanidade está num estado decaído, diferente daquele em que foi criada. A ética cristã leva em conta, na sistematização e sintetização dos deveres morais e práticos das pessoas, que as mesmas são incapazes por si próprias de reconhecer a vontade de Deus e muito menos de obedecê-la. Isso se deve ao fato de que a humanidade vive hoje em estado de afastamento de Deus, provocado inicialmente pela desobediência do primeiro casal. A ética cristã não tem ilusões utópicas acerca da “bondade inerente” de cada pessoa ou da intuição moral positiva de cada uma para decidir por si própria o que é certo e o que é errado. Cegada pelo pecado, a humanidade caminha sem rumo moral, cada um fazendo o que bem parece aos seus olhos. As normas propostas pela ética cristã pressupõem a regeneração espiritual do homem e a assistência do Espírito Santo, para que o mesmo venha a conduzir-se eticamente diante do Criador.

    3. O homem não é moralmente neutro, mas inclinado a tomar decisões contrárias a Deus, ao próximo. Esse pressuposto é uma implicação inevitável do anterior. As pessoas, no estado natural em que se encontram (em contraste ao estado de regeneração) são movidas intuitivamente, acima de tudo, pela cobiça e pelo egoísmo, seguindo muito naturalmente (e inconscientemente) sistemas de valores descritos acima como humanísticos ou naturalísticos. Por si sós, as pessoas são incapazes de seguir até mesmo os padrões que escolhem para si, violando diariamente os próprios princípios de conduta que consideram corretos.

    4. Deus revelou-se à humanidade. Essa pressuposição é fundamental para a ética cristã, pois é dessa revelação que ela tira seus conceitos acerca do mundo, da humanidade e especialmente do que é certo e do que é errado. A ética cristã reconhece que Deus se revela como Criador através da sua imagem em nós. Cada pessoa traz, como criatura de Deus, resquícios dessa imagem, agora deformada pelo egoísmo e desejos de autonomia e independência de Deus. A consciência das pessoas, embora freqüentemente ignorada e suprimida, reflete por vezes lampejos dos valores divinos. Deus também se revela através das coisas criadas. O mundo que nos cerca é um testemunho vivo da divindade, poder e sabedoria de Deus, muito mais do que o resultado de milhões de anos de evolução cega. Entretanto é através de sua revelação especial nas Escrituras que Deus nos faz saber acerca de si próprio, de nós mesmos (pois é nosso Criador), do mundo que nos cerca, dos seus planos a nosso respeito e da maneira como deveríamos nos portar no mundo que criou.

    Assim, muito embora a ética cristã se utilize do bom senso comum às pessoas, depende primariamente das Escrituras na elaboração dos padrões morais e espirituais que devem reger nossa conduta neste mundo. Ela considera que a Bíblia traz todo o conhecimento de que precisamos para servir a Deus de forma agradável e para vivermos alegres e satisfeitos no mundo presente. Mesmo não sendo uma revelação exaustiva de Deus e do reino celestial, a Escritura, entretanto, é suficiente naquilo que nos informa a esse respeito. Evidentemente não encontraremos nas Escrituras indicações diretas sobre problemas tipicamente modernos como a eutanásia, a AIDS, clonagem de seres humanos ou questões relacionadas com a bioética. Entretanto, ali encontraremos os princípios teóricos que regem diferentes áreas da vida humana. É na interação com esses princípios e com os problemas de cada geração, que a ética cristã atualiza-se e contextualiza-se, sem jamais abandonar os valores permanentes e transcendentes revelados nas Escrituras.

    É precisamente por basear-se na revelação que o Criador nos deu que a ética cristã estende-se a todas as dimensões da realidade. Ela pronuncia-se sobre questões individuais, religiosas, sociais, políticas, ecológicas e econômicas. Desde que Deus exerce sua autoridade sobre todas as dimensões da existência humana, suas demandas nos alcançam onde nos acharmos – inclusive e principalmente no ambiente de trabalho, onde exercemos o mandato divino de explorarmos o mundo criado e ganharmos o nosso pão.

    É nas Escrituras Sagradas, portanto, que encontramos o padrão moral revelado por Deus. Os Dez Mandamentos e o Sermão do Monte proferido por Jesus são os exemplos mais conhecidos. Entretanto, mais do que simplesmente um livro de regras morais, as Escrituras são para os cristãos a revelação do que Deus fez para que o homem pudesse vir a conhecê-lo, amá-lo e alegremente obedecê-lo. A mensagem das Escrituras é fundamentalmente de reconciliação com Deus mediante Jesus Cristo. A ética cristã fundamenta-se na obra realizada de Cristo e é uma expressão de gratidão, muito mais do que um esforço para merecer as benesses divinas.

    A ética cristã, em resumo, é o conjunto de valores morais total e unicamente baseado nas Escrituras Sagradas, pelo qual o homem deve regular sua conduta neste mundo, diante de Deus, do próximo e de si mesmo. Não é um conjunto de regras pelas quais os homens poderão chegar a Deus – mas é a norma de conduta pela qual poderá agradar a Deus que já o redimiu. Por ser baseada na revelação divina, acredita em valores morais absolutos, que são à vontade de Deus para todos os homens, de todas as culturas e em todas as épocas.

  • Rogerio Silva said:

    A propósito, me lembro de um pensamento que está no livro Roma e o Evangelho: o bem de ontem é o mal de hoje; o bem de hoje é o mal de amanhã.
    Quando a gente se volta com muita crítica contra as regras que passaram ou que ficaram anacrônicas, é porque elas já cumpriram o seu papel.
    A cerca é o bem de hoje para um menino de dois anos, mas amanhã, para o adulto, será o mal.
    Saudações,

  • JB said:

    Só há Moral na relação Deus-Homem. O Ateu coloca o senso comum ou algo parecido como se fosse Deus e ali estabelece sua Moral e por consequência sua Ética. A Moral e a Ética são absolutos e só porque eles estão contidos no Cristianismo.

  • Adriano Estevam (author) said:

    Olá Júlio,

    Seja bem vindo. Obrigado pela visita e comentário.
    Concordo com você. Alguém argumentaria que sua afirmação depende inteiramente da sua definição do que seja “Moral”, posto que nossa sociedade por exemplo atrela este conceito aos “bons costumes”. Nem tudo que é senso comum, é bom. É apenas costume. E basta olhar ao redor para ver que alguns destes são péssimos.
    Abraços,

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