The Book is on the table

O The Economist publicou em 19 de dezembro passado um interessante artigo intitulado “The Bible v the Koran - The battle of the books” onde trata da batalha no mercado editorial que envolve os livros sagrados dos dois maiores blocos religiosos do mundo, e de como as ferramentas de marketing usadas nesta peleja revelam os traços da cosmovisão de cada um destes blocos. Publico aqui uma síntese de parte do artigo misturada aos meus comentários. Sugiro que, se você puder, também leia o artigo original.

Cerca de 100 milhões de exemplares da Bíblias são vendidos todos os anos. Apenas os Gideões Internacionais distribuem gratuitamente um exemplar a cada segundo. Ela está disponível (integral ou parcialmente) em mais de 2.426 idiomas. Contudo muitos cristãos não a conhecem, não lêem nem estudam o seu conteúdo. Tristemente, a Bíblia no mundo cristianizado cada vez mais ocupa menos espaço, tornando-se um amuleto, como um pé de coelho, ou um ramo de arruda.

Em contra partida, no mundo Islâmico, o Corão é o livro mais lido e recitado, sendo a espinha dorsal do modelo muçulmano de educação. As crianças aprendem a ler com o livro. Na sociedade islâmica memorizar todo o livro sagrado é um feito de grande honra, e no Irã, aquele que o faz, recebe automaticamente um diploma universitário.

Tanto a Bíblia quanto o Corão tornaram-se livros globais. Em 1900 80% da população cristã do mundo vivia na Europa e Estados Unidos. Hoje 60% vive nos países em desenvolvimento. Mais presbiterianos vão a igreja em Gana do que na Escócia, berço do presbitarianismo.

Em 1900, o Islamismo estava concentrado no mundo árabe e sudoeste da Ásia. Hoje na Inglaterra talvez exista um número de Muçulmanos igual ou bem próximo ao de Anglicanos. Contudo é fato que grande parte deste crescimento deve-se não apenas a conversão mas a explosão demográfica e imigração. A média de natalidade por família na europa cristã é cada dia menor, o que é exatamente oposto entre os seguidores do profeta. Já até ouvi alguém afirmar que, se nada mudar, em 50 anos a Europa será novamente um continente muçulmano.

Hoje o país que mais envia missionários cristãos é a Coréia do Sul, seguida bem de perto pelo Brasil e Estados Unidos. As maiores casas publicadoras cristãs estão no Brasil e na Coréia. E uma rede interligada de 140 sociedades publicadoras internacionais trabalham para alcançar o alvo de colocar uma Bíblia nas mãos de cada homem, mulher e criança do mundo. Só a American Bible Society, já publicou mais de 50 milhões na China Comunista.

Por outro lado o óleo saudita esta causando uma super mudança na distribuição do Corão. O país distribui cerca de 30 milhões de exemplares por ano, em mesquitas, sociedades islâmicas e até mesmo em embaixadas.

A tecnologia é a grande aliada de ambos. Hoje é possível consultar ambos os livros na internet, pda e celular. Você pode ouvir textos em Mp3 e sintonizar numa rádio cristã ou numa emissora muçulmana. Existem algumas que não transmitem outra coisa senão o Corão. Sobre a presença de cristãos na tv eu não preciso falar. Pouco a pouco o mundo muçulmano também está descobrindo a mídia no mundo ocidental, através de canais de tv a cabo, e transmissões pela internet.

Muçulmanos preferem ler o Corão em árabe, a língua falada pelo profeta. Apenas 20% destes tem o árabe como língua materna, e os índices de analfabetismo são muito altos no mundo islâmico. Muito embora algumas traduções em pelo menos 20 idiomas sejam hoje toleradas, não são apreciadas pelos seus seguidores. O que fatalmente acontece pela união destes fatores é que um grande número dos alunos acaba por fim não entendendo o que está memorizando.

Já a Bíblia pode ser encontrada em milhares de traduções e versões. Só para o Inglês são quase 900, que vão do eloqüente tradicional ao coloquial. No português, temos as versões de Almeida, RA, RC, Fiel, BLH, NVI, Viva e tantas outras, algumas até demonizadas por alguns grupos. Idiomas como Inupiat e Gulla que são falados apenas por um punhado de pessoas já possúem a sua tradução. E um grupo de Geeks digamos, excêntricos, preocupou-se em traduzir até para Klingon, aquele idioma falado por alienígenas em Jornada nas Estrelas. Existem Bíblias para todos os gostos: Bíblia de Estudo, de Estudo exaustivo, de Missões, da Mulher, Teen, da Criança, do Bebê, do Ministro, e até de Prosperidade Financeira.

A grande batalha, contudo, consiste em fazer-se entender a mensagem, pois obviamente não basta ter ou ler o livro. Uma pesquisa do Instituto Gallup nos Estados Unidos, atestou que menos da metade dos americanos cristãos sabem o nome do primeiro livro da Bíblia (Genesis), apenas um terço sabe quem pregou o Sermão do Monte (muita gente responde que foi Billy Graham) e um quarto desconhece que importante acontecimento celebra-se na páscoa. 60% por cento não sabem a metade dos 10 mandamentos, 12% por cento pensam que Noé era casado com Joana D´Ark (!). Agora, pra ser honesto eu tenho medo de ver os resultados de uma pesquisa destas em terras brasileiras.

Por fim, acredito que não é a presença dos livros da religião que mudam uma sociedade, mas sim a leitura que esta socidade faz destes livros e a resposta que dá a esta leitura. Mas perceba que aqui estou falando de mudança. Qualquer uma, de qualquer coisa para qualquer coisa. Mudar não significa aperfeiçoar, e algumas vezes é possível mudar para pior.

Respeito, os leitores muçulmanos que pensam diferente, mas acredito que a Bíblia ao contrário dos outros livros, possui a resposta aos dilemas desta era, e não apenas esta mas todas. A verdade revelada neste livro, e esta verdade tem um nome, é suficiente para devolver o homem ao seu lugar de origem, a sua verdadeira identidade, ao seu propósito inicial. Isto faz com que a existência humana ganhe sentido, e mude, mas para melhor. A Verdade não é uma energia, um chá, uma experiência ou um livro. A verdade é uma pessoa, que deseja relacionar-se com você pessoalmente. Jesus Cristo é a verdade.

Abraços,

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5 Respostas para “The Book is on the table”


  1. Gravatar Icon 1 Sarah Jan 8th, 2008 at 1:19 am

    Hum, creio que precisamos aprender uma coisa com os muçulmanos: disciplina. Não que ela, por si só, seja a solução, ou nos ajude a encontrar as respostas corretas. Mas, aliada ao que temos (a Verdade, como você disse), traria muito mais resultados e faria da Bíblia bem mais que um enfeite de estante.
    Gostei muito do texto e do seu site (aproveitei pra dar uma fuçadinha nas fotos, que bela família!).

    Fique na paz. Abração.

  2. Gravatar Icon 2 Jonathan Andrade Jan 10th, 2008 at 3:21 pm

    Não li mas presumo que o artigo seja bem interessante. Outro dia fui na casa de um amigo cristão e vi uma bíblia aberta no salmo 91! Infelizmente, pra muitos a Bíblias continua sendo apenas um livro místico, com algumas lendas fantásticas. Que a verdade venha sobre cada ser humano desta Terra! abração adriano=)

  3. Gravatar Icon 3 Fabrício Falco Jan 10th, 2008 at 3:54 pm

    Cara que post gigante e eu li tudo…. olha! o avançado dos mulçumanos é louvável até certo ponto, pois eles morrem por isso… e é a grande massa! são tudo uns kamikazes… como o todo humano da-se mais atenção para rituais do que para a graça é meio que normal que daqui 50 anos a europa seja mulçumana…(tá amarrado ou sangue de jesus tem poder não vai funcionar!)

    ps: meu xbox e o u2 não tem haver com o post de blogs iguais… vc entendeu o sentido né!

  4. Gravatar Icon 4 Jefferson Jan 10th, 2008 at 11:15 pm

    A china já se transformou na maior produtora de Biblias do Mundo
    Veja essa materia

    a companhia Amity Printing já imprimiu 50 milhões de unidades, sendo que 80% delas estão escritas em mandarim e se vendem por menos de um euro. A empresa também edita algumas Bíblias em dialetos de minorias étnicas. O restante é exportado.

    http://www.gospelmais.com.br/noticias/3432/china-transformase-na-maior-produtora-de-biblias-do-mundo.html

  1. 1 Retrospectiva da Semana « Blogosfera Cristã Pingback on Janeiro-10, 2008 at 2:55 am

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