Eu cresci ouvindo gente como Jorge Camargo, Nelson Bomilcar, Semente, Mensagem, MILAD, Vencedores por Cristo, Logos, Rebanhão e tantos outros. Naquela época, fazer música evangélica era como que andar na contra-mão, pois um dos maiores obstáculos a música evangélica, eram os próprios evangélicos. Existiam instrumentos permitidos, e outros não… ritmos santos e outros profanos, proibidos, banidos… Acredito que a oposição teve seus efeitos benéficos ao final: a música tinha de ter contéudo, não podia ser blá-blá-blá, tinha de ser bíblica, cristocêntrica, missionária, evangelizadora!
Pois é. Esta turma trilhou o caminho desbravador de criar música de adoração com a cara do Brasil, enquanto a igreja apenas adorava com os hinos tradicionais. Estes eram em sua maioria traduzidos ou melodias populares de outros países que recebiam letras cristãs. Hoje ninguém mais, ou quase ninguém, discute a legitimidade de usar ritmos brasileiros em nossos cultos, salvo alguns guetos conservadores. Mas poucos sabem o preço que foi pago para que tivéssemos a liberdade que temos hoje.
Portanto é engraçado pra mim hoje ver a Igreja fazendo o percurso inverso. Cada vez mais albums são lançados com músicas e mais músicas traduzidas. Algumas traduções são tão mal feitas que conseguem destruir o (bom) trabalho dos verdadeiros autores. Não há métrica, conteúdo, poesia… enfim, um horror. E nem estou entrando na questão da fundamentação bíblica do que se canta.
Isto não significa que eu não goste de músicas traduzidas. Não é isto. Gosto, tanto de algumas melodias e letras originais como de algumas versões e traduções também. Meu questionamento é mais da necessidade de copiar modelos e estilos da américa de cima, (ou de baixo) ao invés de aceitar e desenvolver a nossa verdadeira identidade enquanto adoradores.
Nós aprendemos a cantar “Muitos Virão te louvar“, “Rei das nações” e tantas outras músicas porque existiram levitas, e profetas naqueles dias que se dispuseram profetizar em nome do Altíssimo, e o fizeram falando a língua do povo. Eu ainda quero ouvir novamente a voz dos profetas nesta nova geração. A voz de quem quer ser veículo da voz de Deus, ainda que prá isto tenha que nadar contra a maré da multidão evangélica deste país.
Divagações a parte, achei este feed do programa Sons do Coração, apresentado semanalmente pelo Pr. Nelson Bomilcar, através da Rádio Transmundial. São entrevistas, reflexões sobre adoração ao som de boa música cristã brasileira. Graças ao Joe Edman o programa pode ser ouvido no podcast da TM.
Selecionei aqui um programa, o especial sobre o CD da Jocum “A todas as famílias da Terra“. Você pode ouvir online ou baixar o arquivo através do link abaixo.
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Opa! Gostei da dica e dos links! Valeu!!!
Aê Adriano….não conhecia esse programa com Nelson!
Excelente! Música Boa, cristocêntrica, brasileira!!!