Abismos
Amy é americana, trabalha no mesmo lugar que eu. Tem cerca de 30 anos, casada, sem filhos. Uma pessoa normal. George é cidadão europeu, viúvo, pai de duas filhas adolescentes, empresário bem sucedido, perto da casa dos 40 anos. Uma outra pessoa também normal.
George estava caminhando pelas ruas movimentadas de Montreux acompanhado de sorridentes amigos quando encontrou Amy. Depois de alguns minutos conversando, Amy perguntou a George quais seus planos para o resto deste ano. Após um breve e reticente silêncio, o homem respondeu que a única coisa que planeja para o fim do ano é tirar a sua própria vida. Disse isto como quem diz que vai trancar a faculdade. Confessou que a existência lhe era por demais enfadonha e dolorosa, não havendo por isto razão para continuar insistindo em viver.
A conversa entre ambos continuou. Amy ouviu, ouviu e ouviu. Quando teve oportunidade, ela também contou-lhe a sua experiência de vida. O que um relacionamento real e pessoal com Jesus pode proporcioná-la e o que poderia fazer também por ele. Entretanto George disse que não acreditava que uma experiência religiosa fosse capaz de mudar sua maneira de pensar. “E não é.” – Assegurou-lhe Amy – Experiências religiosas nunca não suficientes. Jesus é mais que uma experiência religiosa, ele é uma pessoa. Não nos relacionamos com pessoas através de experiências eclusivamente místicas. Conversaram sobre amor, verdade, perdas, filhos, escolhas…
As horas passaram e chegou o momento em que George tinha de ir. Agradeceu a Amy por ouvi-lo, pois fazia tempo que isto não acontecia. Seguiu seu caminho, aparentemente mantendo na mente os mesmos planos, ainda que disposto a pensar melhor a respeito.
Obviamente, mudei os nomes, mantendo os fatos. Vivemos num mundo que caminha a beira do abismo. Cada segundo, mais perto da queda. Há muito para se fazer. Pouquíssimo tempo resta, para que possa ser desperdiçado.









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