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Requiem

18 fevereiro 2008 9 Cliques No Comment
Conheci o Moisés em 1997, curiosamente na Colômbia. Cai de paraquedas numa conferência Sulamericana da Jocum, onde acontecia paralelamente uma reunião da liderança Nacional da JOCUM no Brasil. Eu era um jocumeiro recém saído da ETED, ainda imaginando o que a vida missionária me reservaria. Apresentaram-me Moisés como o diretor de King’s Kids no Brasil. Ele foi simpático, perguntou o que estava pensando do meu futuro em missões, e eu contei como ainda estava descobrindo como ia ser. Falei que estava pensando em trabalhar com Mercy Ships, que era um ministério da Jocum, na época. Ele respondeu prontamente: “Rapaz, Mercy Ships lá dá futuro pra ninguém ??” E riu. “Venha trabalhar com King’s Kids!”, e foi logo me apresentando a visão do ministério. Naquela época, eu achava que não era necessariamente a melhor pessoa para trabalhar com Crianças e adolescentes. Não julgava que tivesse habilidades para isto, pois somente depois vim aprender que neste negócio, habilidade é a menor de nossas preocupações. Conversamos e rimos bastante. Esta seria apenas a primeira vez que ririamos juntos. Nas minhas andanças pelo país, estive na sua casa algumas vezes, primeiro num pequeno apartamento na Casa Restauração em Belo Horizonte e por último, anos depois em Pitangui na Base que ele pioneirou voltada ao trabalho com King’s Kids no Brasil.
Este é a memória mais antiga que tenho dele. De fato, não me lembro de ter conhecido homem mais manso. Sim, manso no sentido mais apropriado da palavra, pois nunca o ví como alguém passivo. Alguma vezes presenciei-o compartilhando seus pontos de vista sobre certas situações de forma contundente e desafiadora.
Mesmo tendo declinado ao seu convite de trabalhar com KK em nosso primeiro encontro, devo muito ao seu ministério. Ele foi de várias maneiras responsável pelo envolvimento de Carmen com missões, seja através das campanhas de King’s Kids, ou ainda tendo recomendado a Ela que fosse tabalhar em Fortaleza em 1998. E vejam só, foi lá que nos conhecemos e nossas vidas mudaram de rumo. De lá prá cá estivemos juntos, Carmen e Eu em várias campanhas e acampamentos e eu descobri quão apaixonante é a visão do ministério.
A última lembrança que tenho dele é de um abraço de despedida em Belo Horizonte, alguns dias antes de viajarmos. Tomamos café com pão de queijo, e rimos das coisas boas da vida. Falamos sobre o futuro, e ele contou como havia acabado de comemorar 25 anos de vida missionária. Moisés sofreu um acidente de automóvel na manhã do dia de nossa viagem, um dia depois de sua festa 15 anos de uma de suas filhas. Veio a falecer alguns dias depois.
Ouvi alguém dizer que a medida que os anos vão passando, o céu torna-se ainda mais interessante para quem almeja a eternidade. Não estou falando de ter vontade de morrer, mas de repentinamente perceber que a comunidade que aguarda o reencontro torna-se cada dia maior na outra margem do rio. Mas enquanto o reencontro não vem, oro e convido você a trabalhar comigo, para que esta geração revele outros homens como Moises Neves, mansos, íntegros e comprometidos com a estabelecimento do Reino de Deus na terra.

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