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	<title>Jocumeiros &#187; Destaque</title>
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		<title>Mamom quer mamar</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Apr 2010 18:51:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adriano Estevam</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blogosfera Cristã]]></category>
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		<description><![CDATA[Vejo, muita gente falando de Mamom, como o deus pagão do dinheiro sujo. Não tenho certeza, entretanto, se os interlocutores sabem do que estão falando. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Perdoem-me pela <em>canastrisse</em> infame logo no título, porém não considero-me arrependido. Minha obsessão patológica por jogos de palavras é notória. Se isto lhe incomoda, recomendo desistir da leitura por aqui mesmo. Pra escrever sobre este tema<em> trocafaltam não me dilhos</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Já vi, e ainda vejo, muita gente falando de <em>Mamom</em>, como o deus pagão do dinheiro sujo. Não tenho certeza, entretanto, se os interlocutores sabem do que estão falando. Acho, (repito: acho) que depois do Diabo, é a alcunha campeã em referências nos discursos evangélicos. Sei que no que se refere á cristandade, este é (senão &#8220;o&#8221;) um dos assuntos prediletos da &#8220;roda dos esclarecedores&#8221;, dos críticos da infantil teologia da prosperidade.  Descrevem a mesma, como culto a Mamom, chamam certos clérigos de mercadores, mercenários, pilantras e outros cognatos.</p>
<p style="text-align: justify;">Não é novidade que Mamom encontrou na sociedade moderna uma fonte inesgotável de vestais, de gente que alimenta sua fome insaciável. Mas alguém aí sabe quem (ou o que) é Mamom? Antes que alguém responda com uma piada pronta, adianto que não é uma fruta tropical, nem aquele gordinho que recebe a chave da cidade no carnaval da bahia. Também não me refiro a uma certa <a href="http://www.mamom.org/" target="_blank">entidade de nome interessante</a> na américa de cima.</p>
<p style="text-align: justify;">Aos desavisados, Mamom é um termo caldeu que aparece nos Evangelhos segundo Mateus e Lucas. Significa <em>riqueza</em>, <em>avareza</em>. Isto até onde me consta. Fora da tradição da igreja não encontra-se qualquer prova de que de fato tenha existido um ídolo com tal nome. Agostinho, Gregorio, Tomás de Aquino são alguns dos cristãos que mencionaram Mamom em seus escritos e ensinos concedendo-lhe status de divindade. Gregório chega a afirmar que <em>Mammom</em> é um outro nome para Belzebú.</p>
<p style="text-align: justify;">Claro, longe de mim achar saber mais que os amigos supra-citados. Deus pagão ou não, fato é que Jesus mesmo advertiu do perigo de tornar-se servo (<em>douleuein</em>) de mamom. De transformar as riquezas em poste ídolo. E avisa que o resultado desta equação é muito simples: como dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço é impossível servir a Deus e o dinheiro. Há de se abandonar um em detrimento do outro. Para mim este aviso basta.</p>
<p style="text-align: justify;">Acredito que o dinheiro, em todas as suas diferentes apresentações, tem a sua parcela de importância no curso da história.Você nem  precisa da <em>Bíblia do Malafaia</em>, para descobrir que no Novo Testamento 90 passagens tratam sobre o tema. Das 49 parábolas 24 mencionam dinheiro. A título de comparação, são 27 o número de versos que mencionam o Espírito Santo e 47 a vida eterna. Por que? Simples, creio eu. Jesus ensinava tratando das situações do dia-a-dia. Dinheiro fazia parte do cotidiano, e não como algo ruim. Dinheiro não é mau. O que se faz com ele todavia nem sempre é bom. E o amor a ele é descrito como <a title="I Timóteo 6:10" href="http://www.bibliaonline.com.br/acf/1tm/6/10+" target="_blank">a raiz de todos os males</a>. Eis aqui um fato inegável: Se observarmos os grandes conflitos da história, veremos que a luta por riqueza e poder são seus gatilhos, panos de fundo e objetivos finais.</p>
<p style="text-align: justify;">É curioso ler os comentários dos leitores nos grande portais de notícias, sobre os casos de corrupção em nosso país. Se nossa honestidade fosse medida pela capacidade de falar em honestidade seriamos uma nação de integridade ímpar. Os caras descem a lenha nos corruptos em qualquer jornaleco de grêmio. Pena que nas ruas não se veja tal onda de integridade. Da mesma forma a blogosfera repete o fenômeno e produz infindável conteúdo crítico a respeito dos seguidores da corrente <em>natimorta</em>. Tempos atrás <em>Edir Macedo</em> publicou em seu blog um interessante <a href="http://blog.bispomacedo.com.br/2009/04/26/desabafo/" target="_blank">desabafo</a>, onde questiona se os que o criticam na realidade apenas desejam ocupar o seu lugar. Ele argumenta que, se  é um farsante, por Deus o abençoa?  &#8211; &#8220;<em>Que Deus é este que abençoa o bandito e amaldiçoa os certinhos?</em>&#8221; &#8211; completa.<br />
Embora não concorde com a segunda parte do seu argumento, haja visto <strong>não</strong> acreditar que riqueza e poder sejam sinônimos de benção, posso concordar que a primeira parte de seu desabafo tem procedência.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao ler ou ouvir algumas destas críticas, pergunto-me se o que os leva a tais conclusões é a fome de justiça ou a fome de riqueza. Obviamente sem generalizar, parece-me que alguns atacam, criticam, apenas porque não podem, ou não conseguem fazer o mesmo. Odeiam as &#8220;instituições universais&#8221;, não pelo que eles representam, mas porque desejariam muito controlar o mesmo poder. E não tem &#8220;<em>guts</em>&#8221; para isso. Perdi a conta dos artigos descrevendo a cara-de-pau dos &#8220;crentes&#8221; da mídia que pedem dinheiro. É (P)Edir Macedo pra lá, Bispa (In)Sonia pra lá, Ap Val(DE-ME)iro prá acolá. Eles tem a cara-de-pau de, por exemplo, pedir cem mil pra cobrir o custo de um blog (jamais teria um, se o meu custasse tanto&#8230;). O crítico lê uma noticia destas, e gargalha pela abundância de munição adquirida. Não perde tempo apontando: &#8220;Viu só? É Mamom!!&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">Mas se você lhe perguntar, quanto investiu do próprio bolso este ano, por exemplo, pela erradicação da exploração sexual infantil (não em paliativos apenas, mas também em ação preventiva) provavelmente silenciará. Ele pouco  sabe a respeito, pois serve a mamom tanto quanto os que ataca.</p>
<p style="text-align: justify;">A cara-de-pau que eles afirmam não ter, explica-se não pela lisura ou por real anseio pela integridade, mas sobretudo porque outra coisa que cultuam mais que mamom é a própria imagem. Morrem de vergonha de arranhar a reputação e o bom nome a vista de todos. Mas se houver oportunidade de fazê-lo as escondidas, farão. É a sindrome de Gabeira (lembra?), que derruba Severino em nome da justiça, por causa dos cheques do restaurante, mas que usa patrimônio público em seu próprio benefício na farra das passagens. Quando tudo vem a tona a defesa é a mesma: &#8220;Todos dão passagem!&#8221;. Por trás das críticas ao culto a mamom, geralmente escondem-se outros adoradores das riquezas, esperando uma oportunidade de sorverem da mesma fonte, longe dos olhos de todos.</p>
<p style="text-align: justify;">Recuso-me acreditar em pseudo-profetas que não prezam pelo mínimo de coerência entre o que dizem e o que vivem. Que produzem suas mensagens <em>proféticas</em> sobre ética detrás de cópias pirata de software, que baixam centenas de jogos, cds e dvds por ano, comprando nada ou quase nada, e acham tudo isto absolutamente normal, &#8220;<em>pois todo mundo faz</em>&#8220;. Que passam horas por semana compulsivamente alimentando a consciência na calada na noite com pornografia, e depois não sabendo porque não conseguem parar de se masturbar, afirmam &#8220;<em>ora, só pode ser normal, todo mundo faz</em>&#8220;.</p>
<p style="text-align: justify;">Os adoradores de Mamom não vivem tão somente dentro dos templos da religiosidade. Estão em todo lugar: na vida pública, nos governos, nos círculos acadêmicos e nas transações comerciais. Muito embora as riquezas sejam temporais, quem as serve continua a seu serviço mesmo quando estas se vão. Aliás alguns dos seu mais fiéis suditos jamais desfrutarão das suas beneces. Passarão vida inteira como sangue-sugas vivendo a intensidade da miséria, suspirando pela sua ilusória chegada. Quem serve a Mamom, serve quando tem muito, serve quando tem nada.</p>
<p style="text-align: justify;">Por fim, se você aguentou chegar até aqui, não pense que eu me oponho a confrontar os adoradores das riquezas e seus disparates, ou mesmo qualquer outro tipo de pecado.  Muito pelo contrário: eles devem sim ser confrontados, porém, da <a title="Mateus 18:15" href="http://www.bibliaonline.com.br/acf/mt/18/15+" target="_blank">maneira bíblica</a> e por razões bíblicas.</p>
<p style="text-align: justify;">Acredito que o culto a mamom só acaba quando Deus ocupa o seu lugar devido no coração  do homem. Não o lugar que a religião dá, mas o que Ele mesmo define  como seu: O primeiro lugar. Onde habita Deus, existe generosidade e  justiça. Sua mesa é suficiente a todos. Uma igreja que perde mais tempo   simplesmente censurando o rico do que efetivamente alcançando o homem,  seja ele rico ou pobre, precisa se questionar se está dando a Deus o seu  devido lugar.</p>
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		<title>Quem é seu Inimigo?</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Oct 2008 12:32:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adriano Estevam</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O que você pode fazer hoje para desarmar o aparato destruidor da morte e desesperança em nossa geração?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Durante a segunda guerra, bombardeiros ingleses realizaram muitas missões na europa. Entretanto a artilharia antiaérea do eixo, formada especialmente pelos famosos canhões de 88mm Flak de longo alcance, era um difícil obstáculo de ser transposto. Nunca fui especialista ou interessado em armas, mas aprecio história. A munição deste tipo de peça de artilharia era perfurante, composta também de uma carga explosiva com alto poder de detonação, causando a destruição do alvo quando atingido.</p>
<p style="text-align: justify;">Ouvi a história (não posso garantir se verídica ou não em todos os seus detalhes) de um piloto que participou de várias destas missões. Imagino que por certo perdeu muitos companheiros. Ele conta  que numa certa ocasião, sua aeronave foi atingida, exatamente num dos tanques de combustível, porém o artefato não explodiu. Ele conseguiu trazer a aeronave de volta a sua base na Inglaterra pousando em segurança.</p>
<p style="text-align: justify;">Depois de pousar, pediu ao mecânico que retirasse o projétil do tanque, pois ele gostaria de quardá-lo como souvenir. Para a surpresa do piloto, os mecânicos, acharam não apenas um, mas onze projéteis. Nenhum deles explodiu. Claro, isto intrigou mais ainda o piloto e sua equipe. Decidiram abrir os projéteis, e perceberam que todas as cápsulas estavam vazias. Não havia carga explosiva em nenhuma delas. A única coisa que encontraram dentro de uma delas foi um pequeno bilhete, escrito em tcheco que dizia &#8220;Isto é tudo o que posso fazer por vocês agora&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Não se sabe se aquele era o resultado do trabalho de um soldado solitário nas linhas inimigas, insatisfeito com a posição do seu país no conflito, ou se era o esforço de um aliado infiltrado empenhado em desarmar a munição da artilharia inimiga. O que me salta aos olhos, é que este era um desconhecido tentando fazer alguma coisa. Ele descobriu quem era o seu real inimigo. E nesta descoberta, fez o que esteve ao seu alcance, arriscando a própria vida, salvando assim muitas outras.</p>
<p>Cada um é capaz de extrair a aplicação que desejar deste pequeno relato. Mas quanto a mim, quero hoje fazer o que estiver ao alcance para desarmar este grande aparato de desesperança mundial. Quero identificar e lutar ferozmente contra meu real inimigo, e meu algoz não é igreja ou mortal algum. Meu inimigo é a morte, seus parceiros e servidores.</p>
<p>O que você pode fazer hoje para desarmar o aparato destruidor da morte e desesperança em nossa geração?</p>
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		<title>De volta ao começo</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Sep 2008 19:46:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adriano Estevam</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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		<description><![CDATA[O outono esta chegando por aqui. E com ele mais uma escola GENESIS em Lausanne. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O outono esta chegando por aqui. E com ele  mais uma escola GENESIS em Lausanne. Dez anos atrás, vim a este lugar pela primeira vez para participar deste mesmo curso. Era a sua primeira turma. Muita coisa aconteceu desde então. Agora, junto com Carmen e Heitor, volto a esta mesma casa, para coordenar o curso onde um dia fui aluno. Para mim isto é uma grande honra.<br />
A base da JOCUM  em Lausanne é um lugar cheio de memórias históricas. Remexendo algumas fotos antigas no arquivo aqui do escritório e achei algumas lâminas interessantíssimas do final da década de 60, como por exemplo uma onde aparece Corie Ten Boom com seu inconfundível &#8220;coqui&#8221; ensinando a um grupo de alunos aqui neste mesmo prédio. Muitos outros também ensinaram aqui&#8230; Irmão andré, Francis Schaeffer, Oz Guinness, Duncan Campbell, que veio a falecer enquanto ensinava aqui em 1972, quando eu nem era nascido.<br />
A próxima escola será, ao que tudo indica um grupo pequeno. No máximo 5 alun(A)s. Isto mesmo, até agora, mulheres apenas. Por outro lado a minha equipe resume-se a Carmen, Heitor  (ele tb conta né? ) e mais um outro obreiro natural de Barbados no Caribe. Mais alunos do que isso nos deixaria em situação complicada.<br />
A Escola GENESIS é um programa de desenvolvimento de liderança, com duração de três meses. Nele treinamos missionários na utilização de ferramentas de tecnologia e comunicação, especialmente videoconferência, no contexto de missões. Se você está se perguntando como é possível fazer isto, leia meu artigo sobre Zakaria Botros. E tem mais, não é nenhuma novidade&#8230; já fazemos isto a mais de 10 anos.  Durante o curso, além de toda a carga técnica, tratamos sobre Liderança e Pioneirismo, Comunicação Transcultural, Fundamento Bíblicos em Educação, Integridade e o modelo de Deus para comunicação entre outros temas.<br />
Estamos com uma expectativa boa no coração. Será um outono de dias corridos, e intensos, mas sinto que bons frutos surgirão desta empreitada. Ore com a gente, e se quiser saber mais escreva pra nós. Será um prazer manter você informado das boas nóticias.<br />
Abraços</p>
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		<title>Não há morte sem dor</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Sep 2008 18:31:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adriano Estevam</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
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		<category><![CDATA[Infanticidio]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma visão antropológica sobre a prática do infanticídio indígena no Brasil]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.estevam.org/wp-content/uploads/2008/09/hakanibanner.jpg"><img class="size-medium wp-image-218 aligncenter" title="Hakani" src="http://www.estevam.org/wp-content/uploads/2008/09/hakanibanner.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Por Ronaldo Lidório</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Neste artigo pretendo abordar o infanticídio indígena como fato social e expor as teorias antropológicas que fundamentam as idéias de apoio e oposição a tal prática no meio acadêmico. Farei uma tentativa de olhar também para o fato em si, do ponto de vista humano, daquele que o pratica ou experimenta, suas razões e cenário. Por fim darei sugestões sociais para sua interpretação e possíveis reações, através de um diálogo construtivo.</p>
<p style="text-align: justify;">Infanticídio vem do latim infanticidium e significa objetivamente “morte de criança” nos primeiros anos de vida. Ao longo da história, foi aplicado a ambientes de morte induzida, permitida ou praticada, pelos mais variados motivos, normalmente sociais e culturais.</p>
<p style="text-align: justify;">Fortes expõe a prática do infanticídio entre os Gauleses, nos primeiros séculos, como forma de regular o equilíbrio numérico entre os clãs[i] e, após quase 2 milênios compara tal prática com os Tallensi de Gana, África, em nossos dias. Na China, é elevado o índice de aborto de meninas, fato também encontrado no norte da Índia e tribos minoritárias da Indonésia. Entre os Konkombas de Gana a prática do infanticídio está ligada à sobrevivência[ii]. Em anos de seca, em que o acesso à alimentação é limitado, as crianças mais fracas e especialmente as enfermas (sobretudo as deficientes) podem não ser alimentadas devidamente, gerando desnutrição e morte. No Brasil indígena Cardoso de Oliveira nos fala sobre o antigo costume Tapirapé de matar a quarta criança, regulando assim o número máximo de três filhos por casal[iii]. Bamberger nos relata sobre o uso de uma planta da família das simarubáceas (Simaroubaceae) como anticoncepcional ou abortivo pelas mulheres Caiapó[iv] e Crocker relata sobre o infanticídio praticado pelos Bororo a partir de sonhos ou impressões de mau augúrio antes do parto[v]. Com base no Censo Demográfico de 2000, pesquisadores do IBGE constataram que para cada mil<br />
crianças indígenas nascidas vivas, 51,4 morreram antes de completar um ano de vida, enquanto no mesmo período, a população não-indígena apresentou taxa de mortalidade de 22,9 crianças por cada mil. Há poucas pesquisas objetivas sobre o assunto.</p>
<p style="text-align: justify;">O infanticídio, portanto, não é um fato isolado nem mesmo reside em um passado distante. É uma experiência atual e demanda, em si, uma avaliação antropológica isenta de partidarismo ou remorsos, que venha a observar este fato e suas implicações sociais para aqueles que o experimentam bem como os que o observam.</p>
<p style="text-align: justify;">A Antropologia possui diversas formas de abordar práticas e costumes em um povo específico. Conseqüentemente, isso permite diferentes formas de interpretar uma cultura. A respeito do infanticídio (aceito, induzido ou estimulado em um grupo) há principalmente duas correntes teóricas que avaliam o fato, por ângulos distintos.</p>
<p><strong>O relativismo ético-cultural</strong></p>
<p style="text-align: justify;">No Brasil, é basicamente o relativismo cultural, em confronto com os fundamentos da universalidade ética, que tem gerado os argumentos para as discussões em torno do infanticídio indígena.</p>
<p style="text-align: justify;">O relativismo cultural, inicialmente desenvolvido por Franz Boas e com base no historicismo de Herder, defende que bem e mal são elementos definidos em cada cultura.  E que não há verdades universais visto que não há padrões para se pesar o comportamento humano e compará-lo a outro. Cada cultura pesa a si mesma e julga a si mesma. A mutilação feminina, portanto, não poderia ser avaliada como certa ou errada, mas sim aceita ou rejeitada socialmente, de acordo com o olhar da cultura local sobre este fato social. Para o relativismo radical não há valores universais que orientem a humanidade, mas valores particulares que devem ser observados e tolerados. E assim, em sua compreensão de ética, o bem e o mal são relativos aos valores de quem os observa e experimenta.</p>
<p style="text-align: justify;">A grande contribuição do relativismo foi abrandar a arrogância das nações conquistadoras e gerar uma visão de tolerância cultural, especialmente nos encontros interculturais. Boas se contrapunha ao evolucionismo de Tylor, Frazer e Morgan que viam na civilização ocidental o estágio evoluído da humanidade, enquanto as nações e povos não ocidentais, “sub-evoluídos”, buscariam no ocidente um modelo humano de moral e organização. Conseqüência desta positiva contribuição do relativismo foi a fomentação da idéia de igualar o valor humano, indistinto de sua língua, cultura e história. Herder defendia que toda moral define seus valores no Volksgeist (literalmente espírito do povo), e entende que cada povo define seu próprio Geist, fazendo com que cada grupo possua valores sociais únicos e incomparáveis. Era uma reação ao Iluminismo que defendia os princípios universais de justiça, sobretudo na França.</p>
<p style="text-align: justify;">O relativismo radical, porém, torna as culturas estáticas e estanques e as pretere de transformações autônomas, mesmo as desejadas e necessárias. Paradoxalmente, ele produz um forte etnocentrismo que se contrapõe à todo e qualquer processo de mudança ou transformação. Para estes a moral se enraíza na cultura e não na humanidade, rompendo assim com qualquer possibilidade de avaliação ou emissão de juízo sobre práticas ou costumes do outro. O bem é o bem permitido na cultura, cultivado por ela. O mal é seu oposto. Enquanto o infanticídio é parte do mal entre os espanhóis pode ser parte do bem entre os Yanomami, desde que esta seja a ótica de cada um sobre este fato social. Este relativismo, praticado de forma radical, incapacita o indivíduo, qualquer indivíduo, de propor mudanças em sua própria cultura por entender a cultura como um sistema estático e imutável, um universo a parte, pressupondo que as presentes normas culturais são perfeitas em si. Nasce daí o purismo antropológico, que enxerga todo elemento cultural como relevante e absoluto, todo costume como funcional e toda prática como algo justificável, sem necessidade de avaliação ou contraste, mesmo pelo próprio povo.</p>
<p><strong>A fundamentação da universalidade ética</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A defesa da fundamentação da universalidade ética, por outro lado, pressupõe que os homens, povos e culturas fazem parte de uma sociedade maior que é a sociedade humana. E esta possui, em si, valores universais de moralidade como a dignidade, sobrevivência do grupo e busca pela continuidade da vida individual. Sérgio Rouanet nos diz que mudanças podem ser necessárias no caso de grupos materialmente carentes ou regidos por normas e instituições de caráter repressivo. E que também tais mudanças devem ser conduzidas levando em conta a autonomia e interesse das populações[vi]. Ele nos diz que “a antropologia comunicativa&#8230; opondo-se ao relativismo puro acredita que a mudança através do contato intercultural é possível e desejável”[vii].</p>
<p style="text-align: justify;">Para Roberto Cardoso a mudança é possível se percebida sua necessidade e deve ser processada no interior de uma comunidade intercultural de argumentação[viii]. Ele se baseia no etno-desenvolvimento que, na declaração de San José (1981) é “o fortalecimento da capacidade autônoma de decisão de uma sociedade culturalmente diferenciada para orientar seu próprio desenvolvimento e o exercício da autodeterminação”.</p>
<p style="text-align: justify;">O valor desta fundamentação da universalidade ética é reconhecer que o homem, mesmo distinto e disperso compartilha valores inerentes. Pressupõe que fazemos parte de uma aldeia global e que, portanto, temos a ganhar no intercâmbio das idéias e valores. Que este intercâmbio, ao contrário de ser nocivo e etnocida, é construtivo. Que todo diálogo pode transmitir conhecimento aplicável em um contexto paralelo. É preciso compreender que o diálogo, praticado com base no respeito mútuo, é construtivo. Irá gerar um ambiente de avaliação da vida, necessário a todo o homem, visto que a cultura não é estática e muito menos a história.</p>
<p style="text-align: justify;">Rouanet expõe que “o homem não pode viver fora da cultura, mas ela não é seu destino, e sim um meio para sua liberdade. Levar a sério a cultura não significa sacralizá-la e sim permitir que a exigência de problematização inerente à comunicação que se dá na cultura se desenvolva até o telos do descentramento”. Este argumento nos leva a compreender que os conflitos são universais, tais como a morte, o sofrimento, a discriminação ou a repressão. E perante estes conflitos podemos compartilhar a mútua experimentação na busca de soluções internas. Ao conversar com um índio Tariano no Alto Rio Negro, após prolongada sessão de perguntas sobre o processo tradicional Tária de sepultamento, ele concluiu dizendo que “como vocês brancos devem também saber, não há morte sem dor”. A dor, universal, resultado de conflitos e mazelas também universais, pede soluções internas que devem ser compartilhadas em um diálogo construtivo.</p>
<p><strong><br />
A unicidade humana e sua capacidade de transformação</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Se por um lado o ambiente colabora para identificarmos os conflitos partilhados, o desenvolvimento de idéias únicas, e iniciativas incomparáveis e pioneiras, define o homem em sua essência. Konkombas e Bassaris, no nordeste de Gana, África, possuem 1.200 anos de história de convivência e partilha ambiental, mas observamos as fórmulas de parentesco divergirem rigorosamente. Os primeiros são endogâmicos (casam-se somente entre si) enquanto o segundo grupo pratica a exogamia (casam-se exclusivamente com pessoas de fora de seu circuito de parentesco) como valor chave para sua interação sociocultural.</p>
<p style="text-align: justify;">Recorremos, portanto, às palavras de Laraia quando diz que “a grande qualidade da espécie humana foi a de romper com suas próprias limitações: um animal frágil, provido de insignificante força física, dominou toda a natureza e se transformou no mais temível dos predadores. Sem asas, dominou os ares; sem guelras ou membranas próprias, conquistou os mares. Tudo isto porque difere dos outros animais por ser o único que possui cultura”[ix]. A unicidade humana, sua capacidade de iniciar novas coisas, desenvolver idéias e reconstruir o comportamento social o destaca do restante dos seres. Apesar da cultura abrigar o homem e encaminhá-lo em sua vida, é o homem quem a define. Uma simples idéia, um grito ou uma iniciativa pode mudar o rumo do grupo, alterar suas crenças fundamentais e gerar distinções sociais. Dentre diversas capacidades inerentes ao homem, uma delas é a de transformação social.</p>
<p style="text-align: justify;">Brzezinski nos alerta que “a cultura vai se tornar a linha divisória do debate sobre a liberdade e os direitos humanos. (&#8230;) Rejeita a noção de direitos humanos inalienáveis com base no fato de que essa noção reflete uma perspectiva ocidental bastante provinciana”[x]. Como conseqüência do relativismo radical, parte da Antropologia brasileira possui nítida dificuldade em emitir qualquer julgamento ao que se apresenta como culturalmente definido, rotulando assim todo questionamento endereçado a uma prática ou costume, em um determinado ambiente cultural, como falta de aceitação ou intolerância. A ausência de diálogo e escambo intercultural privará diversos povos de soluções internas que precisarão encontrar daqui a 30 ou 40 anos, levando-os a olhar para trás e nos julgar, pela nossa omissão.</p>
<p style="text-align: justify;">O machismo, na América Latina, embora seja cultural, é atacado e limitado por políticas públicas que vêem neste elemento cultural um dano ao próprio homem e sociedade. O jeitinho brasileiro, que patrocina a corrupção e tolerância de pequenos delitos, apesar de ser resultante de elementos também culturais não deixa de ser compreendido como nocivo ao homem. Como tal não é aceito pela sociedade como desculpa para a continuidade de práticas danosas à vida. O mesmo poderíamos falar a respeito do racismo. Nestes três casos a universalidade ética é evocada e aceita de forma geral pela sociedade e os direitos humanos são reconhecidos. Porque que não no caso de elementos culturais nocivos à vida, em contexto indígena? Isto me leva a aceitar a especulação de Maquiavel de que a guerra do vizinho nos incomoda menos do que nosso pequeno conflito familiar.</p>
<p style="text-align: justify;">Como parte de um grupo de trabalho que estudou o infanticídio em Gana, no noroeste africano, entre 1995 e 1999, percebi que apesar das motivações para tal prática serem extremamente distintas de grupo a grupo, a morte, qualquer morte, causava sofrimento. Entre os Kassena, o infanticídio era motivado pelo desejo de se fortalecer o clã central, de chefia. Entre os Bassari, pelo desejo de aplacar a fúria dos espíritos causadores do nascimento de crianças deficientes. Entre o povo Konkomba por motivações de subsistência, privilegiando as crianças mais fortes na alimentação diária. Porém, nenhum destes grupos, ou qualquer outro sobre o qual tenhamos estudado, vê o infanticídio como uma prática construtiva, mas sim uma solução interna a partir de uma realidade social danificada. Esta cosmovisão local poderia ser comprovada a partir do conseqüente sofrimento experimentado.</p>
<p style="text-align: justify;">Em Santa Isabel do Rio Negro, no ano de 2006, observei uma moça Yanomami à procura de ajuda no hospital local. Esmurrava seu ventre aparentemente tentando interromper sua gravidez no sétimo mês de gestação. Um enfermeiro local, comentando o fato, anunciou que nada se podia fazer, pois era uma atitude cultural, uma escolha compreendida apenas dentro do universo Yanomami. Mais adiante, interessado em observar o caso de perto, consultei seu irmão que a acompanhava ao hospital. Este claramente me confirmou que aquela gravidez era indesejada pelo grupo e, portanto, poderia ser interrompida. A escolha, apesar de ser de sua irmã, não aconteceria sem a pressão do grupo. Enquanto grávida, ou mesmo após ter a criança, ela não poderia transitar livremente pela aldeia e nem no seio da família, sofrendo privações. Ao explicar as motivações culturais para tal ato, tanto os temores como as limitações sociais definidas, ficou claro que todas as partes envolvidas compartilhavam certo grau de sofrimento. A moça, que esmurrava seu ventre, não o fazia sem indignação. O grupo, que a pressionava, o fazia nutrido pelo medo e tradição. O irmão, que a acompanhava, se sentia impotente e confuso. Apesar das diferentes cores que pintam nossos valores culturais, tão plurais, compartilhamos dos mesmos sofrimentos humanos e sociais.</p>
<p><strong>Nossa história, nosso peso</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Não podemos negar que a postura antropológica brasileira, não intervencionista, é influenciada também pela culpa coletiva pelo passado, pela forma desastrosa como os indígenas foram julgados e condenados. Postura semelhante se viu na Alemanha pós-nazista que, de uma xenofobia causticante, se extremou por algum tempo nos caminhos de uma tolerância radical ao diferente, qualquer diferente, mesmo o nocivo socialmente.</p>
<p style="text-align: justify;">Calcula-se que havia 1,5 milhão[xi] de indígenas no Brasil do século 16, os quais, irreparavelmente, somam hoje não mais de 350 mil. Infelizmente, essa realidade etnofágica vai muito além das estatísticas e das palavras, pois é composta por faces, vidas, histórias e culturas milenares, as quais têm sofrido ao longo dos séculos a devassa dos conquistadores, a forte imposição econômica e perdas sociais tremendas. Permita-me redefinir os termos desta afirmação em uma impressão coletiva. Os conquistadores não são os outros. Somos nós.</p>
<p style="text-align: justify;">A sociedade indígena ainda vive hoje sob o perigo de extinção. Não necessariamente extinção populacional, mas igualmente severa, quando se perde língua, história, cultura e direito de ser diferente e pensar diferente convivendo em um território igual.</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo Lévi-Strauss, a perda lingüística é um dos sinais de declínio de identidade étnica e decadência de uma nação. Ao observarmos tal sinal, percebemos quão desolador é o cenário. Michael Kraus afirma que 27% das línguas sul-americanas não são mais aprendidas pelas crianças[xii]. Isso significa que um número cada vez maior de crianças indígenas perde seu poder de comunicação a cada dia.</p>
<p style="text-align: justify;">Aryon Rodrigues estima que, na época da conquista, eram faladas 1.273 línguas,[xiii] ou seja, perdemos 85% de nossa diversidade lingüística em 500 anos. Luciana Storto chama a atenção para o Estado de Rondônia, onde 65% das línguas estão seriamente em perigo por não serem mais aprendidas pelas crianças e por terem um ínfimo número de falantes. Precisamos perceber que a perda lingüística está associada a perdas culturais complexas, como a transmissão do conhecimento, formas artísticas, tradições orais, perspectivas ontológicas e cosmológicas.</p>
<p>Perante tal realidade somos levados a observar o passado e defender uma postura radicalmente não intervencionista, não dialógica, no presente. No subconsciente talvez estejamos tentando minimizar o risco de outros erros. Porém não percebemos que esta omissão apenas há de contribuir para a ausência de soluções de subsistência, seja numérica, lingüística ou cultural, dos povos indígenas do Brasil. Não devemos evitar o diálogo, mas sim a subversão. Não devemos nos omitir da busca coletiva pela solução de conflitos, mas sim evitar a imposição em reações que não sejam autônomas. Ao participar da construção do ambiente que gera o dano devemos também participar da busca pelas soluções.</p>
<p><strong>Os direitos humanos universais e o infanticídio</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A Declaração Universal dos Direitos Humanos aprovada pela ONU em 1948 promulga que “todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos”[xiv]. Afirma também que “toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e segurança pessoal”[xv]. Continua declarando que “todos são iguais perante a lei e têm o direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei (&#8230;) contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação”[xvi]</p>
<p style="text-align: justify;">A conferência Mundial sobre Direitos Humanos (1993), fórum preparatório para as declarações de Túnis (1992), Bangladesh (1993) e a Conferência de Viena, discutiram e alertaram para o perigo do relativismo radical como teoria embasadora para a avaliação de práticas e costumes culturalmente definidos. O ministro das relações exteriores da Indonésia, em 14 de junho de 1993, afirmou, na Declaração de Bangkok, que “não viemos a Viena (&#8230;) para defender um conceito alternativo de direitos humanos, baseado em alguma noção nebulosa de relativismo cultural como falsamente acreditam alguns”. O vice-ministro das relações exteriores do Irã, em 18 de junho de 1993, declarou que “os direitos humanos, sem sombra de dúvida, são universais (&#8230;) e não podem estar sujeitos ao relativismo cultural”. O vice-ministro das relações exteriores da República Socialista do Vietnã, em 14 de junho de 1993, observou que “os direitos humanos são, ao mesmo tempo, um padrão absoluto de natureza universal e uma síntese resultante de um longo processo histórico (&#8230;) universalidade e especificidade são dois aspectos orgânicos dos direitos humanos inter-relacionados, que não se excluem, mas coexistem e interagem”.[xvii]</p>
<p style="text-align: justify;">A Declaração de Viena, aprovada pela Conferência Mundial dos Direitos Humanos, rejeitou o relativismo cultural radical e defendeu a universalidade ética, mesmo sujeito ao pluralismo de culturas e cosmovisões. No parágrafo 5º da Declaração de Viena lemos que “todos os direitos humanos são universais, indivisíveis, interdependentes e inter-relacionados (&#8230;). Embora particularidades nacionais e regionais devam ser levadas em consideração, assim como os diversos contextos históricos, culturais e religiosos, é dever dos Estados promover e proteger todos os direitos humanos e liberdades fundamentais, sejam quais forem seus sistemas políticos e culturais”[xviii].</p>
<p><strong>Conclusão</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A antropóloga Keila Pienezi expõe que “O Estado tem um papel muito importante e não pode se omitir sobre ele, que é o de garantir o direito à vida e às condições para as crianças crescerem e terem acesso à cidadania. Isso pode ser feito por meio de diálogo com as diferentes etnias que nós temos no País”[xix].</p>
<p style="text-align: justify;">Alguns fatos dialógicos positivos em contexto inter-cultural podem ser ressaltados. O primeiro advém da ação da FUNASA no tratamento de enfermidades básicas entre as populações indígenas no Brasil, entre elas a malária. Apesar dos grupos indígenas não abandonarem, em grande parte, sua forma natural de tratamento, um número expressivo de grupos indígenas reconhece e utiliza hoje o tratamento anti-malarial proposto pela FUNASA para os casos de malária reconhecidos por eles e pelos seus agentes de saúde. Tal atitude dialógica presta um serviço necessário e vital. Salva vidas e não agride os povos. Se em algum momento tal agressão for observada, deve-se mais à abordagem do que à proposta. No Alto Rio Negro e ao longo do Rio Solimões tenho observado todas as etnias procurando e valorizando o acesso ao tratamento deste mal reconhecidamente causador de sofrimento humano, a despeito de sua diversidade lingüística e cultural, e mesmo das diferentes soluções internas que cada grupo historicamente propõe para o tratamento da malária em seu universo.</p>
<p style="text-align: justify;">O segundo fato dialógico nos é fornecido por Cardoso de Oliveira e trata-se da prática do infanticídio entre os Tapirapé. O processo se dava na eliminação do quarto filho, limitando assim cada família a, no máximo, três filhos. A ação de freiras católicas para assegurar a sobrevivência do indivíduo que nasce bem como do grupo, que corria risco de extinção (chegou apenas a 54 indivíduos) se deu através do diálogo e não da imposição. A argumentação das freiras, aceita finalmente pelo grupo, se baseava na valorização do próprio grupo, e seu gradual enfraquecimento, com o infanticídio. Cardoso de Oliveira nos expõe que a decisão de extinção do infanticídio se deu em um círculo culturalmente definido, autônomo, não induzido. Neste caso os Tapirapé aceitaram o argumento da razão humana, social e cultural. Observo, portanto, que nas mudanças necessárias que envolvem risco de sobrevivência, subsistência e dignidade, os povos tendem a repensar seus valores com base nos efeitos objetivos sobre o próprio grupo, aceitando o argumento mais forte que privilegie sua sobrevivência.</p>
<p style="text-align: justify;">O terceiro fato dialógico nos é exposto por Edson e Márcia Suzuki[xx], co-fundadores da ONG ATINI (Voz pela Vida), que, atendendo ao apelo dos pais colaboraram com a retirada de dois bebês da tribo Suruwahá em 2005 para tratamento apropriado em São Paulo. A retirada dos bebês os liberava do sacrifício por iniciativa da comunidade Suruwahá. Iganani, uma das crianças, chegou a ser deixada na mata para morrer mas foi resgatada pela mãe, por convencimento da avó. Tititu, a outra criança, quase foi flechada pelo pai que decidiu levá-la aos “brancos” a procura de ajuda. A mãe de Iganani chama-se Muwaji e explicitou seu desejo por ajuda. Desejava, a despeito da prática comunitária de seu grupo, preservar a vida da sua filha. Os Suzukis, durante cerca de 20 anos vivendo entre os Suruwahá, contabilizam cerca de 28 casos de infanticídio no grupo. Este fato social (a preservação da vida por iniciativa indígena, de crianças que seriam sacrificadas na comunidade por iniciativa dos próprios indígenas) abriu um precedente ético e comportamental entre os Suruwahá. É possível que percebam o que Pritchard chama de possibilidade de solução. Quando um povo, pela iniciativa de uma idéia ou ato, repensa suas soluções para o sofrimento e as adequa a práticas mais humanizadoras na cosmovisão do próprio grupo. A ATINI também tem sido promotora da conscientização sobre o direito à vida em cerca de 50 etnias em nosso país através das cartilhas sobre os direitos humanos aplicados ao universo indígena[xxi].</p>
<p style="text-align: justify;">Devemos reconhecer o direito de todo povo de dialogar com outros povos a respeito do sofrimento e suas soluções. De compreendê-las, compará-las e decidir sobre qual solução tomar.</p>
<p style="text-align: justify;">Devemos reconhecer o direito de todo indivíduo de levantar-se contra os valores culturais experimentados e propor novas alternativas, sobretudo nos casos em que há dano à vida, à dignidade e à subsistência.</p>
<p style="text-align: justify;">Devemos reconhecer que nenhuma cultura é estática ou isolada da sociedade humana. E que, pertencente a esta, partilha também os mesmos sonhos e conflitos. Que a ação dialógica, sob o manto da autonomia de cada povo, trás benefícios humanos que não estancam a vivência cultural pois práticas aceitas na atualidade remontam a decisões passadas por critérios próprios ou adquiridos.</p>
<p style="text-align: justify;">Que o Estado brasileiro deve tratar o infanticídio indígena de forma ativa, informando e dialogando com as sociedades indígenas em nosso país a respeito das alternativas para solução deste conflito interno, que isente a morte das crianças. Que garanta o direito de vida, criação e dignidade dos indivíduos, independente de seu segmento étnico.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Ronaldo Lidório</strong> é Teólogo e doutor em Antropologia. Membro da American Anthropological Association. Pastor presbiteriano e membro da APMT e Missão AMEM. Consultor e autor de projetos de direitos humanos e reorganização social pós-guerra em Gana, África, entre 1995 a 1999.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Notas de Rodapé</strong></p>
<p><em>[i] Fortes, M, 1940, The Political System of the Tallensi of the Northern Territories of the Gold Coast, London: Oxford University Press.</em></p>
<p><em>[ii] Lidorio, R. Artigo: Cultural identity and religious phenomenology among the Konkomba people. Accra &#8211; Journal of Anthropology. Vol 12, 2000.</em></p>
<p><em>[iii] Cardoso de Oliveira, Roberto. “A situação atual dos Tapirapé”. Boletim</em></p>
<p><em>do Museu Paraense Emílio Goeldi, N Série, Antropologia 3. Belém. 1959.</em></p>
<p><em>[iv] Bamberger, Joan. Ethnobotanical notes on simaba in Central Brazil.</em></p>
<p><em>Botanical Museum Leaflets 21: 59-64. Cambridge: Harvard University. 1963.</em></p>
<p><em>[v] Crocker, Jon Christopher. Vital Souls: Bororo Cosmology, natural symbolism</em></p>
<p><em>and shamanism. The University of Arizona Press. 1985.</em></p>
<p><em>[vi] Rouanet, Sergio Paulo. Artigo: Ética e antropóloga. Revista Estudos Avançados. Edição 10, set./dez 1990.</em></p>
<p><em>[vii] Rouanet. Sergio Paulo. Op. Cit.</em></p>
<p><em>[viii] Cardoso de Oliveira, Roberto. A questão Étnica: qual a possibilidade de uma ética global? Arizpe, Lourdes (Org.). As Dimensões Culturais da Transformação Global: uma abordagem antropológica. Brasília. UNESCO, 2001.</em></p>
<p><em>[ix] Laraia, Roque de Barros. Cultura, um conceito Antropológico. Zahar Editor. 1997</em></p>
<p><em>[x] Brzezinski, Z. The new chalenges to human rights. Journal of Democracy, v.9, n.2, Apr. 1995, p. 4</em></p>
<p><em>[xi] Antropólogos da ALAB falam em 5 milhões.</em></p>
<p><em>[xii] Krauss, Michael. The world’s languages in crisis.</em></p>
<p><em>[xiii] Rodrigues, Aryon. Línguas indígenas — 500 anos de descobertas e perdas.</em></p>
<p><em>[xiv] Artigo primeiro – Declaração Universal dos Direitos Humanos. 1948.</em></p>
<p><em>[xv] Artigo terceiro – Declaração Universal dos Direitos Humanos. 1948.</em></p>
<p><em>[xvi] Artigo sétimo – Declaração Universal dos Direitos Humanos. 1948.</em></p>
<p><em>[xvii] Symonides, Janus (Org). Direitos Humanos – Novas dimensões e desafios. UNESCO. 2003, pg 57.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>[xviii] Symonides, Jauns (Org.). Op. Cit.: pg 59.<br />
[xix] Keila M Pienezi, defendendo a criação de políticas públicas e fiscalização contra o assassinato de crianças após o parto – infanticídio.<br />
[xx] Etnolingüistas, com mestrado em lingüística indígena pela Universidade Federal de Rondônia. Missionários da JOCUM e pesquisadores.<br />
[xxi] As cartilhas “O direito de viver” (série Os direitos da Criança) bem como a cartilha “Fara me ati amake me nafi me hirihi nabonehe” (Declaração dos direitos humanos, adaptada para o contexto indígena).</em></p>
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		<title>Verdades e Mentiras</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Feb 2008 15:21:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adriano Estevam</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Qual é a primeira coisa que você ensina a alguém que deseja aprender a ler e escrever? ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: justify;">Qual é a primeira coisa que você ensina a alguém que deseja aprender a ler e escrever? Tempos Verbais? Figuras de linguagem? advérbios? A menos que você esteja aprendendo uma língua não fonética, acredito que você  começaria pelo alfabeto. Não dá para aprender a escrever em português sem conhecer cada uma das letras.</div>
<div style="text-align: justify;">E para alguém que deseja aprender matemática? Por onde você começaria? Múltiplos divisores comuns? Raiz quadrada? Sistemas? Não. Conhecer os numerais, é fundamental para entender a matemática. Primeiro aprendemos os números, depois a contar, e depois as operações matemáticas.</div>
<div>E sobre pintura? Por onde começar? Pelo impressionismo? Também não. Aprendemos primeiro as cores, depois as cores básicas, e depois as demais técnicas e estilos.</div>
<div style="text-align: justify;">E quanto a música? Por onde começamos? Claro, pelas notas musicais e seus respectivos sons. Não dá pra tocar uma obra de Bach sem dominar esta informação.</p>
<p style="text-align: justify;">Creio que você entendeu o que quiz dizer. Eu dei exemplos de fundamentos. Eles existem para todas as esferas da sociedade. São peças de informação que definem todo o restante. Por exemplo, aprender a contar errado, fará com que toda e qualquer operação matemática construída a partir dela seja errada, muito embora você até acredite que esteja fazendo a operação de forma correta e diligente. O mesmo vale para o alfabeto, trocar o som do &#8220;r&#8221;pelo &#8220;l&#8221; fará de você um eterno &#8220;cebolinha&#8221;.</p>
</div>
<div style="text-align: justify;">Especialmente no que diz respeito a cultura, nossa civilização insiste em relativizar certos fundamentos. Por exemplo, você ja ouviu alguém dizer: &#8220;<em>esta é a sua verdade, não a minha.</em>&#8221; ? Por certo que sim. Acontece que a verdade não é relativa, e sim constante. Nada começa sendo verdade, e termina sendo mentira ou vice-versa. Nada é parte verdade. Verdade e Mentira são estados absolutos que não se mesclam, como água e óleo. Podem até ocupar o mesmo recipiente, porém um jamais assume as propriedades do outro.</p>
<div><strong> A grande razão dos problemas de nossas sociedades, é que mudamos os valores fundamentais verdadeiros que são responsáveis pela saúde de nossa cosmovisão, por outros falsos, que constroem uma visão atrofiada, injusta, decaída e parcial do universo.</strong></div>
<p>Estes valores falsos, são distorções dos verdadeiros, algumas vezes tão sutís que passam despercebidos aos olhos de muitos. Eles acabam sempre gerando idéias, atitudes, comportamentos e até tradições, no meio do grupo.</p></div>
<p>Deixem-me dar alguns exemplos:</p>
<div style="text-align: justify;"><strong>A Qualidade de vida é superior a Vida.</strong><br />
Uma sociedade comprometida com a vida, estará empenhada em sua proteção e manutenção de forma ampla e incondicional, ao passo que uma sociedade comprometida com qualidade de vida esta empenhada em sentir-se bem a qualquer custo. Para evangelho, a vida é um bem sagrado. Enquanto a proteção a vida é altruísta e visa o bem comum, a qualidade de vida é egoísta e visa o próprio bem estar. Ela abre espaço para a eutanásia, aborto, seleção genética e tantas outras práticas que propôem livrar o indivíduo ou mesmo o grupo de um possível desconforto.</div>
<div style="text-align: justify;"><strong>Alguns homens são superiores a outros. </strong><br />
Este valor fundamentado na mentira permitiu que nossas sociedades por séculos aceitassem escravatura e estimulassem a sua prática.  O subterfúgio moral que justificava a prática era de que os escravizados eram menos humanos que os escravizadores.  E hoje ainda, este valor está enraizado em nossas culturas, afirmando que alguns indivíduos jamais serão capazes disto ou daquilo pois são inferiores, seja intelectualmente, seja socialmente. Este pensamento inspira práticas paternalistas, que embora tragam certo alívio a alguns problemas sociais, não solucionam suas causas. A Bíblia por outro lado, ensina que todos os indivíduos foram criados segundo a imagem e semelhança de Deus,  são portadores do seu fôlego de vida, merecedores de respeito, e igualmente capazes de fazer n&#8217;Ele todas as coisas.</div>
<p align="justify"><strong>O Macho é superior a Fêmea.</strong><br />
Uma mentira presente em todas as sociedades de formas ligeiramente diferentes. Em alguns círculos sociais prevalece a mentira de que o macho, é superior, mais capaz ou mais inteligente. Certas religiões orientais que acreditam em reencarnação, afirmam que se um homem cometer muitos pecados nesta vida, em punição na próxima existência retornará como uma mulher. E ainda  que:  se você nasceu mulher deve sofrer como mulher neste ciclo para que possa retornar como homem na próxima vida. Um dos costumes numa cerimônia de casamento tradicional nepale, é o de a noiva lavar os pés de seu marido e em seguida beber a água usada. Esta tradição apenas exemplifica o tipo de relacionamento que aguarda os dois, onde o marido é superior, e a esposa não possue qualquer dignidade.<br />
O outro lado é o do movimento feminista radical, que ensina que a mulher e o homem são iguais e possuem os mesmos direitos. Mas como uma mulher se torna igual ao homem, para o movimento feminista? Fazendo tudo o que um homem faz. Em outras palavras, para este movimento, não ha dignidade em <strong>ser</strong> mulher. Esta, para ter valor, precisa <strong>fazer</strong> o que faz um homem, tornando-se como homem. Em ambos prevalece a mesma mentira, de que o macho é superior pelo que faz.<br />
A Bíblia por outro lado, ensina que macho e fêmea foram formados a imagem de Deus igualmente dignos por serem o que são: Homem e Mulher. Ambos mordomos da criação, ambos espelhos da glória de Deus, e proclamadores do seu Reino.</p>
<div style="text-align: justify;">A Biblia ensina que há um <em>patrocinador</em> para estas mentiras que apresentei acima. Este patrocinador é <a title="João 8:44" href="http://www.bibliaonline.com.br/acf+asv/jo/8/44+" target="_blank">especialista na prática da mentira</a>, e sabe muito bem como apresentá-la a sociedade de forma tal, capaz de enganar a muitos. Seu nome é <em>Satanás</em>, e ele não é a figura mitológica de<em> chifre e rabo</em> que pintaram pra você. Você pode até <em>ainda</em> não acreditar na sua existência, mas será complicado negar as suas obras. Ele é uma criatura astuta completamente comprometida em destruir o seu futuro. A Bíblia diz que ele mente não apenas a indivíduos, mas também a <a title="Apocalipse 20:7-8" href="http://www.bibliaonline.com.br/acf+asv/ap/20/7-8+" target="_blank">nações inteiras</a>.</div>
<p align="justify">Não pensem por exemplo que a corrupção no Brasil é um problema apenas do governo Brasileiro. É um problema do brasileiro. A corrupção existe porque aprendemos a cultivá-la. Enquanto nação, acreditamos na mentira de que não é possível prosperar com honestidade, que sempre há um jeitinho mais fácil e rápido, que o mundo é dos espertos.<br />
Quando estas mentiras, ocupam o lugar da verdade em nossa cosmovisão, a justiça cede lugar a injustiça, o direito a corrupção, e a prosperidade a pobreza.</p>
<div style="text-align: justify;">A boa notícia é que você não precisa deixá-lo fazer isto. Pouco importa o que fizeram você acreditar até hoje, a Bíblia diz que o <a title="João 8:32" href="http://www.bibliaonline.com.br/acf/jo/8/32+" target="_blank">conhecimento da verdade nos libertá</a>. A verdade a que me refiro não é uma filosofia, ou idéia. Jesus Cristo se apresenta como o <a title="João 14:6" href="http://www.bibliaonline.com.br/acf/jo/14/6+" target="_blank">caminho, a verdade e a vida</a>. É deste conhecimento fundamental da verdade que você precisa.</div>
<p>C.S. Lewis disse que “<em>Não há campo neutro no universo. Cada polegada, cada milésimo de segundo, é reivindicado por Deus e reivindicado por Satanás</em>&#8220;. Acredite, não há meio termo. Ou você opta pela verdade ou pela mentira.<br />
Escolha seu lado.</p>
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		<title>Prosperidade ?</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Dec 2007 03:36:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adriano Estevam</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Só por que inventaram a "Teologia da Prosperidade" eu tenho que adotar a "Teologia da Miséria?"]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: justify;">Descer a lenha na <strong>Teologia da Prosperidade</strong> já é como chutar cachorro morto. Não vale nem o esforço. Deixo isto para os apologétas incansáveis de plantão. Em três parágrafos, quero falar algo simples sobre a prosperidade. Sim, porque não é pelo fato de terem inventado a <em>&#8220;T.P.&#8221;</em> que vou me filiar a <em>&#8220;Teologia da Miséria&#8221;</em>.</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"><strong>O Aurélio define como próspero</strong> o que é <em>propício, favorável, ditoso, venturoso, feliz</em>. Gosto desta definição. E vejam: ser próspero não significa necessariamente ser rico. Conheço muitos ricos que não são prósperos. Nunca estão satisfeitos. Eu acredito que ser próspero é ter o suficiente para satisfazer-se e repartir. Simples assim. É ver recompensa no trabalho de suas mãos, e sentir-se feliz com isto. A prosperidade é uma conseqüência direta do contentamento.</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"><strong>E tem mais. Deus deseja a nossa prosperidade, a minha e a sua.</strong> Claro que sim! De Genesis a Apocalipse, a Bíblia está repleta de promessas de recompensa e prosperidade. Contudo aqui não existe escambo, nem troca de favores. A prosperidade Bíblica, a benção de Deus sobre o nosso celeiro e colheita vem como conseqüência das decisões e estilo de vida a que nos propomos. Deus, que como ninguém conhece as regras deste universo criado, recompensa <em>honestidade, integridade, altruísmo, obediência e fé.</em> E esta recompensa é mais gratificante que qualquer cifra deste mundo. Para conhecer esta prosperidade que apresento, você precisa primeiro conhecer o Deus de amor que nos faz prosperar. Eu poderia até falar mais sobre isto, mas acabaram os meus três parágrafos. Fica pra um outro post.</div>
<div>Abraços.</div>
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		<title>Menos religião para o Brasil</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Dec 2007 00:39:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adriano Estevam</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Antes da sua paixão semanal pelo governo Lula, Diogo Mainardi ainda escrevia sobre outras coisas... ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p style="text-align: justify;">Em 2003 o Diogo Mainardi, antes de sua paixão semanal pelo governo Lula, escreveu no periódico onde esparrama os seus rascunhos, um artigo, no mínimo equivocado, intitulado &#8220;<a title="Veja 11/06/2003" href="http://veja.abril.com.br/110603/mainardi.html" target="_blank">Menos deus, por favor</a>&#8220;. Ele fecha a redação afirmando: <em>&#8220;Precisamos de menos deus&#8221;</em>. Bom, aqui do meu <em>palantir</em> já vejo a turba de fãns deste <em>genial</em> <em>colaborador da república</em> preparando as pedras para a minha execução. Tudo bem, podem jogar. Por certo eu devo ter o direito de achar que ele foi infeliz na sua exposição, muito embora <em>exista verdade em algumas de suas colocações</em>.</p>
</div>
<div style="text-align: justify;">Antes disto,  quase seis anos atrás escrevi um texto sobre o crescimento evangélico no Brasil. Quando publicado no site da Jocum, uma revista de circulação nacional publicou uma matéria sobre o mesmo assunto. Lembro-me bem que a revista anunciava que o estado do Rio de Janeiro possuía naquela época maioria evangélica. A razão disto era em especial o crescimento das denominações Pentecostais e Neo-pentecostais, bem como de algumas igrejas históricas.</div>
<div style="text-align: justify;">Alguns anos se passaram desde então, e as milhares de igrejas continuam se multiplicando pelo pais-a-dentro. São milhões. Se se alguns de vocês me permitem chover no molhado em dois parágrafos, o que isto quer dizer? Nada. Basta olhar os indicadores sociais de nossos dias, para perceber que o crescimento explosivo desta massa evangélica coopera em nada para a  transformação do país. Aliás são estes mesmo números que denunciam uma igreja evangélica obesa, opaca e insossa. Mas  isto não é previlégio exclusivo nosso. Se você já ouviu alguns trechos dos vários discursos pós 11 de setembro de Osama Bin Laden, perceberá que a maioria das acusações do fundamentalismo islâmico contra o mundo ocidental cristão, não repousa no fato de serem estes <em>cristãos</em>, mas sim de não serem <em>cristãos o bastante</em>.</div>
<div style="text-align: justify;">Em Fortaleza no bairro onde trabalhei por muitos anos, uma igreja abre as portas a cada quarteirão, de uma ouve-se o culto da outra. A comunidade porém, continua a mesma. Hoje são artistas, atletas, políticos que se apresentam como evangélicos com a mesma naturalidade que se dizem  flamenguistas ou corintianos. Para estes, ser evangélico significa nada. Quando eu era criança ninguém era evangélico. Éramos <em>crentes</em>. E ser crente, ou como diziam os antigos, <em>&#8220;passar pra lei dos crentes&#8221;</em> era uma atitude quase subversiva. Significava alguma coisa afirmar ser crente. Contudo, não vou aqui botar panos quentes nos problemas da igreja de minha infância. Tinhamos problemas. Eram outros, mas tinhamos.</div>
<div style="text-align: justify;"><strong>O fato é que não é o evangelho de Jesus Cristo que tem crescido no Brasil. É a religião.</strong> Esta, tem várias caras, cores, coreografias e estilos. Até aparenta ter alguma virtude em si mesma. Por vezes apresenta-se como um ambiente saudável para educar os filhos. Porém ao final não transforma sociedade alguma. Sabem porque?</div>
<p style="text-align: justify;"><strong>A religião exige perfeição. Já o evangelho, integridade.</strong> E como a religião não poderá levar ninguém a perfeição, ela mente. Apresenta uma realidade florida para satisfazer o homem, massageando-lhe o ego com promessas de consolo que não pode cumprir. Promete o placebo, o alívio, o extase em troca de sacrifícios. Ela estimula a vida dupla, pois o religioso percebe ser impossivel atingir a perfeição proposta, e assim como mentiu-lhe a religião, ele mente pra sí mesmo. O evangelho não exige perfeição, mas integridade, integralidade, não-divisão. Enquanto a religião dicotomisa o mundo, separa o sagrado e dominical do secular e cotidiano, o evangelho apresenta estes mundos como um só. Todos coexistentes na mente criadora de Deus.</p>
<div style="text-align: justify;"><strong>A religião segue o fluxo da sociedade e não o contrário.</strong> Dança conforme a música. Segue o anseio da multidão e dará o que esta anseia. Isto explica o seu silêncio em determinadas ocasiões, e seus discursos acalorados em outras. Se a sociedade pinta a cara de preto a religião fará o mesmo. Já o evangelho preserva valores imutáveis. Não apenas um ou alguns, mas todos, integralmente. E estes em muitos momentos não serão o que deseja a multidão.</div>
<div style="text-align: justify;"><strong>A religião demanda mérito. O evangelho, graça.</strong> É através do fazer por merecer que o anseio é alcançado na religião. E segundo ela, o mérito virá, a partir do que você faz e dá. E ainda traz consigo um attachment de culpa&#8230; pois a mesma religião que promete recompensar ao merecedor, ameaça punir e condenar ao que não cumpriu a sua parte do contrato.  Por causa disto, para fugir desta culpa, o transgressor precisa se purgar, fazer mais, resgatar o mérito. No evangelho não há mérito. Deus não assinou um acordo de serviço e contra-partida. Ele dá vida, e o faz mesmo sabendo que o recebedor não é merecedor. Isto é graça.</div>
<div style="text-align: justify;">O grande equívoco do Mainardi, (coitado, não deve estar nada satisfeito com o futebol do Kaká*) e deste presente século, é transformar Deus em religião. É confundir os programas evangélicos na tv, com deus na mídia. A religião  é tentativa de &#8220;<em>religare</em>&#8221; o homem a deus, seja este último qualquer coisa. O evangelho é Deus revelado. Sim. Nas palavras de Paulo, o apóstolo, é o &#8220;<a title="Romanos 1:16" href="http://livro.de/rm/1/16+" target="_blank"><em>poder de Deus para salvação do que crê</em></a>&#8220;. O Brasil não precisa de mais religião. Disto temos de sobra e para todos os gostos, até do Mainardi, que deve ter a dele.</div>
<div>O Brasil precisa sim de Jesus.</div>
<div style="text-align: justify;"><em>* No artigo o Mainardi diz que está torcendo contra todos os atletas que expressam suas convicções religiosas. E diz estar muito satisfeito com o futebol do Kaká estar cada dia pior&#8230;<br />
</em></div>
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		<title>Sua Igreja é uma Igreja Missionária?</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Nov 2007 18:52:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adriano Estevam</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O que faz de sua igreja, uma agência de transformação comprometida com missões ?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center;"><a href="http://www.estevam.org/wp-content/uploads/2008/09/frutos1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-222" title="frutos1" src="http://www.estevam.org/wp-content/uploads/2008/09/frutos1.jpg" alt="" /></a></div>
<p align="justify">Uma palavrinha aos crentes que nos visitam. Houve uma época em que a igreja onde passei a infância contou ter mais de 50 missionários servindo na JOCUM, fora seminaristas e os que trabalhavam em outras agências. Ao todo chegamos perto de 100.  Penso que 100 missionários é um número expressivo, para uma igreja de 800 membros. Isto fazia de nós uma igreja missionária? Naquela época, eu acreditava que sim. Contudo não são estes números que fazem de uma igreja uma comunidade missionária.</p>
<p align="justify"><strong>Mas o que é uma Igreja Missionária ?</strong><br />
Vamos aos fatos. Uma Igreja Missionária prioriza missões. E missões é o Reino de Deus em movimento, em expansão. Na sua agenda esta prioridade vem primeiro que a construção do anexo de educação religiosa, que a compra do ônibus, que a reforma do templo. Afinal de contas, não levaremos nada disto para a eternidade. Me perdoe pela franqueza, mas vai ficar tudo aí pro anticristo fazer o que quiser (se você for pré-tribulacionista&#8230; se não for, <em>&#8220;os elementos se desfarão abrasados</em>&#8221; mesmo). Mas, não me apedrejem ainda, esperem pelo menos até o último parágrafo. Isto não quer dizer que uma igreja missionária não tenha templo, anexo de educação religiosa, ou ônibus. Significa que na agenda desta igreja nenhuma destas coisas está ou estará acima de sua responsabilidade missionária.</p>
<p align="justify"><strong>Uma Igreja Missionária vai ao campo.</strong><br />
Ela não se contenta com informações de teóricas de &#8220;ouvir falar&#8221;, mas busca dar aos seus membros uma experiência real de missões. Ela procura ir ao campo, seja na comunidade local, regional, em âmbito nacional ou transcultural. Neste aspecto, a igreja pode investir em viagens missionárias de curto prazo, nas férias por exemplo, para aqueles que não dispõem de muito tempo. É uma oportunidade de visitar comunidades, fortalecer frentes de trabalho, ou apoiar trabalhos de outras organizações.  Outro detalhe importante, é que sua Igreja <em>não precisa reinventar a roda</em>. É possível envolver-se com outras iniciativas em parceria com Agências Missionárias, e/ou outras igrejas. Este tipo de envolvimento <em>&#8220;oxigena&#8221;</em> a igreja. Os que participaram, voltam empolgados e contagiam outros.</p>
<p align="justify"><strong>Uma Igreja Missionária ora.<br />
</strong>Não estou falando daquela oração silenciosa no quarto domingo de cada mês, antes do encerramento da Escola Dominical. Nem do momento missionário no culto do 3º Domingo à noite. Estou falando de esforço contínuo de oração. <em>Constante, criativo, contagiante, e estratégico</em>. O exemplo dos<strong> <em><a title="Ultimato" href="http://www.ultimato.com.br/?pg=show_artigos&amp;secMestre=752&amp;sec=769&amp;num_edicao=287" target="_blank">irmãos Morávios em seus 100 anos de oração initerrupta</a></em></strong> precisa nos inspirar. <em>Constante</em>, pois precisa acontecer initerruptamente, <em>criativo</em>, porque verdadeira intercessão é qualquer coisa menos monótona, <em>contagiante</em> porque deve convidar outros ao envolvimento e <em>estratégica</em>, porque é importante saber pelo que orar.</p>
<p align="justify"><strong>Uma igreja Missionária Envia.</strong><br />
A Igreja de Antioquia é um exemplo. Não tinha qualquer pretensão de guardar para sí os seus melhores membros. Muito pelo contrário, preocupa-se em ouvir a voz de Deus, e separa dois dos seus melhores para a tarefa. E que dupla ! Se Paulo e Barnabé fosse membros de sua igreja, você os enviaria para o campo missionário? A Igreja comprometida com a obra missionária não tentará enviar quem esta <em>sobrando</em>, ou quem está <em>criando problema</em>s, mas quem está produzindo para assim produzir mais.</p>
<p align="justify"><strong>Uma igreja Missionária Sustenta. </strong><br />
Aqui existe uma matemática simples. Jesus disse: <em>&#8220;<a title="Lucas 12:34" href="http://livro.de/lc/12/34+" target="_blank">onde estiver o teu tesouro aí estará o teu coração</a></em> &#8220;. Muitas igrejas não cooperam financeiramente com missões porque o coração deles não está em missões! O coração está onde o tesouro está. Uma Igreja missionária, está envolvida também financeiramente, com a obra missionária,  pois sabe da importância do que esta fazendo. Seu coração está em missões, por isto, seu tesouro também está lá.</p>
<p align="justify">Uma Igreja missionária reconhece a sua vocação missionária e dá a esta espaço para crescimento. Neste processo de desenvolvimento é importante ter um norte, um objetivo. É ai que entra o <strong>Conselho Missionário</strong>. Mas sobre isto falo num outro artigo.</p>
<p>Abraços,</p>
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		<title>O que é o Ramadan?</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Nov 2007 13:05:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adriano Estevam</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Como um dos pilares do Islam, o jejum de Ramadan tem uma posição especial na vida religiosa muçulmana.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.estevam.org/wp-content/uploads/2008/09/ramadam.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-220" title="ramadam" src="http://www.estevam.org/wp-content/uploads/2008/09/ramadam.jpg" alt="" /></a></p>
<blockquote>
<p><em>&#8220;Atyab at-tihani bimunasabat hulul shahru Ramadan al-Mubarak. (Árabe)<br />
&#8220;As mais preciosas congratulações por ocasião da vinda do Ramadan.&#8221; Cumprimento muçulmano.</em></p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">Ramadan é um mês especial para mais de um bilhão de muçulmanos por todo mundo. É um período para reflexão, devoção a Alá, e auto-controle. Do nascer do sol ao ocaso, cada dia, por 30 dias eles se abstem de comida, bebida, fumo e sexo. A tradição também ordena abstenção de calúnias e fofocas, de usar perfume e até mesmo de ficar irritado ou olhar para alguma coisa ilegal.</p>
<p style="text-align: justify;">O nome Ramadan é derivado da palavra de orígem árabe <em>ramida</em> ou <em>ar-ramad</em>, que denota um calor causticante, aridez, especialmente no solo. Da mesma raiz vem <em>ramdaa</em>, que significa &#8220;<em>areia cozida pelo sol</em>&#8221; como no famoso provérbio : &#8220;<em>Kal Mustajeer minar ramadaa binnar</em>&#8221; &#8211; &#8220;<em>saltar da frigideira para o fogo</em>&#8220;. Alguns dizem que é assim chamado porque Ramadan incinera os pecados com as boas obras como o sol queima o solo.</p>
<p style="text-align: justify;">O jejum voluntário é uma recomendação feita aos muçulmanos, mas durante o Ramadan tornou-se uma obrigação. Como o quarto pilar da fé, o Ramadan é provavelmente a mais amplamente praticada de todas as formas muçulmanas de adoração. Todos os muçulmanos que sejam saudáveis e já alcançaram a puberdade são obrigados a jejuar. Para cada dia negligenciado, ou que não possa ser observado devido a doença, viagem, gravidez ou ciclo menstrual , o muçulmano é obrigado a compensar, seja fazendo um outro dia, ou alimentando os pobres. Algumas vezes os ricos pagam para outros jejuarem em seu lugar. Os velhos que estejam fracos ou doentes e aqueles portadores de doença mental não são obrigados a jejuar.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma refeição (<em>sahur</em>) é compartilhada na madrugada de preferência o mais perto do amanhecer, e, de igual modo, depois do pôr do sol (<em>iftar</em>), na quebra do jejum. A oração é feita minutos após o ocaso. Por causa do aspecto de que o Ramadan enfatiza aspectos comunitários, é comum entre os muçulmanos tomar o <em>iftar</em> juntos na mesquita da vizinhança e convidar amigos, parentes e vizinhos para as festas do <em>Iftar</em> que acabam tornando-se grandes banquetes.</p>
<p style="text-align: justify;">Durante o Ramadan os muçulmanos são conclamados a fazer orações especiais à noite, chamadas <em>tarawih</em>. Consiste numa seqüência de vinte orações, geralmente feita coletivamente com o recitar do Alcorão completo o mês todo. Os últimos dez dias são considerados os mais importantes especialmente na vigésima sétima noite, <em>Laylat al-Qadr</em> &#8211; Noite do Poder ou das Revelações, durante a qual segundo a tradição, ocorreu a primeira revelação do Alcorão a Maomé. Para muitos muçulmanos devotos este período é marcado por uma intensidade espiritual elevada, e eles passam estas noites orando e recitando o Alcorão.</p>
<p style="text-align: justify;">O Ramadan é o nono mês do calendário lunar muçulmano. O começo do mês é baseado numa combinação de observações da lua, e cálculos astronômicos. A prática varia de local para local, de modo que alguns povos baseiam-se totalmente nas observações e outros nos cálculos. O calendário islâmico, sendo onze ou doze dias a menos que o gregoriano, migra entre as estações. O ciclo completo leva em torno de 35 anos. Em 2008 o Ramadan teve inicio no dia 2 de Setembro indo até o dia 2 de outubro.</p>
<p>No final do Ramadan existem três dias de celebração, chamado <em>Eid-ul-Fitr</em>, Festival da Quebra do Jejum.</p>
<p style="text-align: justify;">Todos os anos intercedemos pelos povos muçulmanos ao redor do mundo durante a campanha de  31 dias de oração pelo mundo Muçulmano. No Brasil, a Jocum coordena a campanha através do Projeto Ismael no Rio de Janeiro. Um manual pode ser adquirido, contendo informações e dados para quem deseja saber especificamente sobe o que orar. Basta escrever para <a title="Projeto Ismael" href="mailto:projetoismael@jocumrio.org.br" target="_blank">projetoismael@jocumrio.org.br</a>.</p>
<p><strong>Bibligrafia </strong><br />
<em>30 Days Muslim Prayer Focus, 2000 Australia </em></p>
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		<title>Dalit, Harijan</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Jan 2004 18:57:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adriano Estevam</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Não Alcançados]]></category>
		<category><![CDATA[Castas]]></category>
		<category><![CDATA[Cristianismo]]></category>
		<category><![CDATA[Dalit]]></category>
		<category><![CDATA[Ghandi]]></category>
		<category><![CDATA[Hinduismo]]></category>
		<category><![CDATA[India]]></category>
		<category><![CDATA[Intocáveis]]></category>

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		<description><![CDATA[Qual a realidade por trás do sistema de castas indiano ? O que torna uns puros e outros impuros ? Uma radiografia deste regime milenar...
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a title="Dalit" rel="attachment wp-att-22" href="http://www.estevam.org/nao-alcancados/dalit-harijan/attachment/dalit" target="_blank"><img title="Mulher Dalit" src="http://www.estevam.org/wp-content/uploads/2007/06/dalit-woman.jpg" alt="Mulher Dalit" hspace="5" vspace="0" width="237" height="151" align="left" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Até bem pouco tempo</em> algumas pessoas nunca tinham ouvido a expressão <em>Dalit</em>. Menos ainda conhecem a palavra <em>Harijan</em>. Esta última significa &#8220;povo de deus&#8221;, e não foi &#8220;criada&#8221; por um cristão. É o nome que o estadista indiano <strong>Ghandi</strong> escolheu para determinar um grupo de 160 milhões de pessoas na populosa Índia : os intocáveis. Apesar de abolido oficialmente desde 1950, linchamentos de intocáveis, ou dalits &#8211; oprimidos,  como eles preferem se denominar  por achar que harijan é uma palavra que traz uma conotação de pena &#8211; continuam a acontecer até hoje.</p>
<p style="text-align: justify;">Há quem defenda o sistema de castas da religião Hindu, alegando razões culturais, políticas e sobretudo econômicas, para a manutenção do sistema. Algum tempo atrás uma polêmica discussão tomou lugar na internet entre algumas agências missionárias e um site mantido por um cristão. Num boletim de oração a agência compartilhava sobre infanticídios que ainda ocorrem nestas isoladas localidades do mundo, sob a cobertura de sacrifício religioso. O pedido de oração foi traduzido para vários idiomas, inclusive o português por vários missionários ao redor do mundo. O site mantido pelo irmão iniciou uma cruzada de averiguação da verdade, afirmando que tais práticas não acontecem mais em nossos dias,  inclusive, relatando à embaixada Indiana o conteúdo dos boletins de oração. A embaixada, claro, negou todos os fatos.</p>
<p><span id="more-16"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Para quem não acredita em tais notícias, em  reportagem publicada pela <a href="http://viajeaqui.abril.com.br/national-geographic/edicoes-anteriores/?ano=2003" target="_blank"><strong>National Geographic </strong><strong>Brasil</strong></a> , Tom O’neill, fazem uma alarmante descrição do sistema de castas, e sua poderosa influência na cultura local:</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft" style="border: 0pt none;" src="http://viajeaqui.abril.com.br/national-geographic/imagens/anteriores/2003/06.jpg" alt="" width="134" height="189" />&#8220;<em>Nascer hindu na Índia é entrar para o sistema de castas, uma das mais antigas formas de estratificação ainda em vigo</em><em>r. Arraigado na sociedade há 1,5 mil anos, o sistema segue um preceito básico: todos são criados desiguais. Esta hierarquização da sociedade Hindu originou-se da uma lenda na qual os quatro principais grupos, ou varnas, emergem de um ser primordial. Da boca, v6em os brâmanes &#8211; sacerdotes e mestres. Dos braços, os xátrias &#8211; governantes e soldados. Das coxas, os vaixá -mercadores e comerciantes &#8211; e, dos pés os sudras &#8211; trabalhadores braçais. Cada varna, por sua vez, abrange centenas de castas e subcastas hereditárias,cada qual com sua hierarquia própria. Um quinto grupo consiste nas pessoas que são &#8220;achuta&#8221;, ou intocáveis. Não vieram do ser primordial, são os excluídos, demasiadamente impuros para classificarem-se como seres dignos. (&#8230;) Os intocáveis são evitados, insultados, proibidos de freqüentar templos e casa de castas superiores, obrigados a comer em utensílios separados em lugares públicos, e em casos extremos mas não incomuns, são estuprados, queimados, linchados e baleados. O antigo sistema de crenças prepondera sobre a lei moderna. Um pai ou uma mãe intocável gera filhos intocáveis, marcados como impuros desde o momento em que começam a respirar. Mas eles não têm aparência diferente da dos outros indianos. Sua pele é da mesma cor. Não andam esfarrapados, não são cobertos de feridas. Andam pelas mesmas ruas e freqüentam as mesmas escolas. Mas apesar destes sinais exteriores de normalidade, os intocáveis não precisam de nenhum sinal para anunciar a sua condição. Nome de família, endereço da aldeia, linguagem do corpo &#8211; tudo fornece pistas. O mais revelador porém é a ocupação.</em>&#8220;</p>
<p style="text-align: justify;">Todos os trabalhos que não são considerados &#8220;limpos&#8221; pelas outras castas são realizados pelos intocáveis. São atividades que em geral requerem contato físico com sangue e excrementos humanos. Coveiros ou cremadores de corpos, curtidores de couro, parteiras, garis, são atividades comuns reservadas a eles. Mas mesmo aqueles que trabalham em outras atividades &#8220;limpas&#8221;, principalmente agricultura, são considerados impuros, e são por isto mal remunerados.</p>
<p style="text-align: justify;">Claro, que devemos salientar que os intocáveis tem conseguido progressos com o passar dos anos, principalmente na esfera pública. Antes da constituição de 1950, eles eram obrigados a usar sinos para alertar sobre a sua aproximação, e carregavam baldes para não contaminar o chão ao cuspir. Não podiam freqüentar escolas nem sentar em bancos próximos a alguém de uma casta superior. Se a sombra de um deles tocasse alguém de uma casta superior, deveriam ser espancados. A constituição definiu um sistema de cotas de 15% para cargos federais, estaduais e municipais (aldeias), serviços públicos, e universidades. Apesar dos grupos e movimentos modernos que lutam contra a discriminação e o infanticídio, na Índia rural, os bebês nascem pelas mãos de parteiras intocáveis, pois o contato com sangue é considerado impureza. Estas freqüentemente, ainda recebem um adicional para matar as meninas.</p>
<p style="text-align: justify;">Entretanto, o sistema de castas tem o seu próprio código, redigido nos últimos 2000 anos pelos sacerdotes brâmanes. São as <strong>&#8220;<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%B3digo_de_Manu" target="_blank">Leis de Manu</a>&#8220;</strong>, um conjunto de normas que determinam o que cada varna deve comer, com quem casar, como se manter limpo e a quem evitar, como trabalhar. Os Sacerdotes nunca devem ter contato com intocáveis. É Manu quem determina que contato com os mortos depois das cerimônias fúnebres trás contaminação, ficando esta atividade reservada aos intocáveis que trabalham nas margens do Rio Ganges, rio sagrado para os hindus. A tradição não permite também mulheres em cerimônias fúnebres porque estas podem chorar &#8211; e as lágrimas que caem de seus olhos são consideradas poluentes, como todo e qualquer líquido de seu corpo.</p>
<p style="text-align: justify;">Gandhi, o estadista quase deificado, é considerado um dos precursores das campanhas para combater o conceito de intocabilidade, e, ironicamente, ao mesmo tempo é culpado pela sua manutenção. Isto acontece porque muito embora tenha sido Ele quem deu um novo nome aos intocáveis &#8220;harijan&#8221;, fundou uma comunidade &#8220;ashram&#8221; em Ahmadabad em 1915 onde recebeu uma família de Intocáveis e logo em seguida adotou uma filha intocável daquela família, sua preocupação na manutenção da fé hindu impediu que maiores avanços fossem feitos, pois o sistema de castas está enraizado na mesma. Gandhi era um nacionalista. Seu desejo por independência e liberdade passava pela rejeição de tudo que fosse opressor e imperialista, inclusive qualquer modelo religioso que não fosse o de seu próprio povo. A tradição amargamente conta que em sua juventude o estadista tentou visitar uma igreja cristã num bairro de maioria britânica, mas foi impedido de entrar no santuário pelo oficial da igreja na porta recomendando-lhe que procurasse um igreja para indianos. O jovem foi embora e nunca mais entrou em igreja nenhum. Se é verdadeira ou não a narrativa, o fato é que a mesma tradição atribui ao próprio Gandhi a afirmação: &#8220;O cristianismo seria perfeito, não fossem os cristãos&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">Quem sabe por causa disto, ele procurou impedir a atuação de um homem chamado Bhimrao Rami Ambedkar. Um dos principais redatores da constituição Indiana, escritor e também intocável, nasceu em 1891 na casta dos mahars, servidores domésticos. Aluno brilhante, através de bolsas de estudos, obteve graus de doutor nos Estados Unidos e Inglaterra, retornando para Bombaim &#8211; atual Mumbai &#8211; em 1923, onde começou a trabalhar como advogado. Ele tornou-se porta-voz da causa dos intocáveis, e em certa ocasião, encerrou um comício de forma desafiadora queimando um exemplar das Leis de Manu. Ele queria a emancipação radical da vida civil do alicerce religioso. Sua militância começou a dar mostras de sucesso, quando o governo colonial britânico deu atenção às suas reivindicações permitindo participação das castas inferiores no sistema político, e mostrando-se aberto a aceitar as outras propostas de mudança. Entretanto, neste ponto Gandhi fez oposição a Ambedkar, receando que a intervenção política na situação das castas viesse a destruir o hinduísmo. Em 1932 quando o governo estava próximo a ceder, Gandhi iniciou sua &#8220;greve de fome até a morte&#8221;. Como o povo o seguia, e o líder ficava cada vez mais fraco, Ambedkar não teve alternativa senão recuar. Ele conseguiu os direitos que hoje a constituição garante, mas a campanha de Gandhi impediu uma mudança radical no pais.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 1956 Ambedkar, percebendo-se incapaz de erradicar o sistema de castas da religião Hindu, decidiu abandonar a religião, convertendo-se ao budismo. Centenas de milhares de intocáveis seguiram seu exemplo. Em 04 de novembro de 2002 o fato repetiu-se quando lideres intocáveis proclamaram que estariam deixando o Hinduísmo num grande ato público. Agências de notícias, informaram que um milhão de intocáveis eram esperados para reunião. Entretanto, estradas foram bloqueadas a reunião congregou um número muito menor, que &#8220;converteu-se&#8221; ao budismo. Meses depois, intocáveis reuniram-se com pastores evangélicos e divulgaram que estariam aceitando a Jesus como salvador. Conversões em massa, embora populares, ainda são situações atípicas a serem observadas cautelosamente.</p>
<p>Muito embora o governo Indiano ainda faça lobby evitando exposição sobre o assunto, as castas são uma desconfortante realidade inegável. Num aspecto Ambekar e Gandhi estavam certos : o primeiro sabia que somente uma radical mudança de mente, poderia resolver esta questão para o povo. O segundo sabia que uma mudança radical exigiria o abandono do modelo religioso.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas imaginem como tudo poderia ter sido diferente, se aquele jovem Gandhi tivesse oportunidade de entrar naquela igreja. Imaginem se ele pudesse ter conhecido a Jesus. Quem sabe hoje,o país seria diferente. Quem sabe ?&#8230;<br />
Ainda hoje você pode orar para que a população hindu ao redor do mundo tenha oportunidade de entender esta necessidade de mudança radical que apenas Jesus Cristo pode trazer-lhes. Assim, e só assim os Dalit deixarão de ser oprimidos, para serem de fato Harijan, povo de Deus.</p>
<p>Fontes :<br />
<em>National Geographic Brasil, Junho de 2003<br />
Boletins de Intercessão</em></p>
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